Faleceu aos 58 anos o jornalista Mário Bettencourt Resendes
O jornalista Mário Bettencourt Resendes faleceu esta madrugada em Lisboa, aos 58 anos, na sequência de cancro. Antigo director do Diário de Notícias, o jornalista dedicava-se agora ao comentário político e exercia ainda as funções de Provedor do Leitor no jornal onde foi director. Além de jornalista, Mário Resendes foi professor de Comunicação Social no Instituto Superior de Comunicação Social.
Actualmente, Mário Resendes desempenhava a função de Provedor do Leitor do jornal Diário de Notícias (DN), onde foi director desde o início da década de 90 até 2003, mas ocupava muito do seu tempo em vários órgãos de comuicação social por quem era bastante solicitado para comentários políticos.
Nasceu em 1952 em Ponta Delgada e começou a sua carreira no jornalismo em 1975, depois de ter sido "apanhado" pelo 25 de Abril quando estava no quinto ano do curso de Gestão de Empresas e Economia, que não terminou para tirar um curso de jornalismo em Paris não mais tendo voltado à economia.
Em 1975 foi estagiar como jornalista do Diário de Notícias e, no final do estágio, entrou para a equipa fundadora do Jornal Novo, um jornal pós-revolução politicamente activo.
Ainda passou por uma revista semanal chamada Opção, mas pouco mais de um ano depois, em Novembro de 1976, voltou ao DN, onde ingressou nos quadros para ser sucessivamente redactor de Política Nacional, editor do suplemento "Análise DN", coordenador das secções de Política Nacional, Economia e Trabalho, e director adjunto.
Quando o título foi privatizado, em 1991, já era director, tendo passado a integrar o grupo Lusomundo, e mesmo alguns anos depois, quando o jornal passou para as mãos do grupo Controlinveste, mantinha-se no cargo e afirmou sempre ter uma relação excelente com o empresário Joaquim Oliveira.
Depois de sair da direção do DN, tornou-se, em 2007, provedor dos leitores daquele título, cargo cuja criação aconteceu por sua iniciativa.
Além de jornalista, Mário Resendes foi professor de Comunicação Social no Instituto Superior de Comunicação Social, moderador de mesas-redondas, analista político e responsável por programas na RTP e na Rádio Comercial e comentador político na TSF.
Assumiu ainda a vice-presidência da comissão diretiva europeia da Associação de Jornalistas Europeus, a presidência da assembleia geral da secção portuguesa e em 1994 foi nomeado, pela Comissão Europeia para fazer parte do Conselho Consultivo dos Utilizadores (Bruxelas).
Membro do conselho director do Centro Europeu de Jornalismo, foi galardoado com o Prémio Europeu de Jornalismo, atribuído pela Associação de Jornalistas Europeus, em 1993.
Foi ainda porta-voz do Movimento Informação e Liberdade, criado em 2008, com o objectivo de ser interlocutor em todos os processos de discussão de matérias de interesse para a classe dos jornalistas como a auto regulação e o acesso à profissão.