Falhas de socorro no INEM. Candidatos a Belém pedem apuramento de responsabilidades

Perante a sucessão de casos de falta de assistência do INEM que originaram a morte de três pessoas, os candidatos às eleições presidenciais de 2026 reagiram com algumas críticas, exigindo explicações públicas, resultados concretos e responsabilidades políticas.

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Nuno Patrício - RTP

Depois da morte de um homem no Seixal, noticiada na passada quarta-feira, enquanto aguardava socorro pelo INEM, surgiram mais dois casos semelhantes em que duas pessoas morreram nas mesmas circunstâncias, uma na Quinta do Conde e outra em Tavira, a sul do país. “Não haver qualquer palavra é até de algum sentido de desumanidade”Marques Mendes classificou os episódios como “bastante chocantes” e apontou diretamente à Direção Executiva do SNS, que acusou de estar “desaparecida em combate”. Para o candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP, “alguém de responsabilidade tem de vir, no mínimo, explicar esta situação”.

Mendes criticou o silêncio da estrutura criada para gerir o SNS, afirmando que “perante duas situações trágicas, não haver qualquer palavra é até de algum sentido de desumanidade”. Admitiu ainda que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, “se entender”, poderá dar explicações, sublinhando, contudo, que um presidente da República “não existe para pedir a demissão em público de ministros”A ministra da Saúde “não tem condições para governar”João Cotrim Figueiredo exigiu respostas rápidas do Governo, considerando injustificáveis demoras tão longas no socorro. Defendeu que as famílias merecem esclarecimentos imediatos e afirmou que, se se confirmar que o reforço de ambulâncias não foi renovado apesar de alertas técnicos, Ana Paula Martins não terá condições políticas para continuar no cargo.

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL) foi mais longe ao afirmar que, se se confirmar que o reforço de ambulâncias não foi renovado apesar de alertas técnicos, a ministra da Saúde “não tem condições para continuar no cargo”.

“Os portugueses começam a ter medo de adoecer”
António José Seguro
mostrou-se igualmente crítico, dizendo reagir “com indignação e revolta” a casos que parecem repetir-se “todos os dias”, alertando para o medo crescente dos cidadãos em adoecer por falta de resposta do sistema de emergência.

Para o candidato presidencial, a situação na saúde é inaceitável e exige resultados concretos, afirmando que, como presidente da República, será exigente sem interferir diretamente na governação, responsabilidade que atribui aos partidos e ao Governo.

“Nenhum plano que o Governo apresenta na saúde tem resultados concretos”André Ventura defendeu que o chefe de Estado deve pressionar o Governo a apresentar políticas de saúde com objetivos claros e mensuráveis. “Nenhum plano que o Governo apresenta na saúde tem resultados concretos”, criticou o líder do Chega, defendendo uma gestão “segundo resultados”.

Admitiu que, na sua perspetiva, a consequência do incumprimento deve ser a saída da ministra da Saúde, mesmo reconhecendo os limites constitucionais dos poderes presidenciais.

Outros candidatos como Henrique Gouveia e Melo, Catarina Martins e António Filipe já tinham reagido ao primeiro caso da morte do idoso no Seixal, noticiada na quarta-feira. Em relação aos casos que se sucederam, ainda não prestaram declarações.

As reações dos candidatos revelam um consenso quanto à gravidade da situação no sistema de emergência médica, apesar também, das diferentes leituras sobre o papel do presidente da República na exigência de explicações e na pressão política sobre o Governo, num momento em que o funcionamento do SNS volta a estar sob forte escrutínio público.

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