FAP assegura a partir de hoje patrulhamento aéreo no Báltico
Oito anos depois da missão nos Balcãs, os caças F-16 portugueses voltaram a integrar uma operação no âmbito da NATO no exterior, assegurando desde hoje e até 15 de Dezembro o policiamento aéreo dos países bálticos.
Uma cerimónia militar que juntou em formatura os destacamentos da Força Aérea Portuguesa e da Roménia marcou hoje de manhã de forma simbólica a transferência da autoridade do patrulhamento do espaço aéreo do Báltico para Portugal.
A missão é considerada de baixo risco e em termos operacionais é igual ao que se faz em Portugal, mas a circunstância de a Lituânia, onde está baseada a "Baltic Air Policing 07", ficar na fronteira com um país fora da NATO representa um acréscimo de "sensibilidade", admitiu à Lusa o tenente-coronel Paulino Honrado.
"A missão faz-se exactamente como se faz em Portugal. Tem a peculiaridade de fazer fronteira com países que não são da NATO. Em Portugal também acontece isso, a sul com Marrocos, mas não é tão sensível do ponto de vista diplomático como será aqui fazendo fronteira com Rússia. Não aumenta por aí o risco, mas é mais sensível", afirmou Paulino Honrado, que irá comandar a missão.
A missão, em que participam 74 militares portugueses, resulta de um pedido de ajuda dos três países bálticos (ex-repúblicas da URSS) para o policiamento do seu espaço aéreo, depois de aderirem à aliança, em Março de 2004.
"Acontece que estes países (...) que eram da URSS uma vez tornados independentes viram-se na situação de não terem os meios para defender de forma eficaz e os restantes países que tem essa capacidade se ofereceram para apoiar nesta missão", acrescentou.
Amizade e cooperação foram as palavras mais ouvidas nos discursos dos representantes políticos e das Forças Armadas lituana, romena na cerimónia de transferência de autoridade, que decorreu na antiga base soviética de Zokniai, Siauliai, no norte da Lituânia.
Em tempo de paz, o principal inimigo das forças portuguesas, 74 homens, entre os quais 18 pilotos, será o Inverno rigoroso da Lituânia. A partir de domingo é esperada neve e temperaturas entre os 20 e os 30 graus negativos.
A contar com essa dificuldade, os pilotos foram sujeitos a um treino na Noruega para aprenderem a lidar com condições climatéricas extremas.
"Fizemos cursos de sobrevivência em climas árticos, na Noruega, para nos preparar para esta missão. Tivemos briefings a nível de como sobreviver se tivermos que nos ejectar e esperar que nos vão lá buscar", disse o capitão Luís Silva, um dos primeiros seis militares que vão pilotar os caças F-16.
"Trouxemos quatro aviões, o Quick Reaction Alert (Alerta de Reacção Rápida) é feito com uma parelha, dois aviões", afirmou, acrescentando que o armamento usado são mísseis ar-ar standard", os mesmos usados em Portugal no policiamento aéreo.