Fármacos pediátricos "pouco rentáveis" distribuídos nos centros de saúde
O ministro da Saúde admitiu hoje adquirir quantidades de medicamentos pediátricos que os laboratórios não comercializam por serem "pouco rentáveis" para os distribuir nos centros de saúde.
António Correia de Campos reagia desta forma às acusações da presidente da Comissão Nacional de Saúde da Criança e do Adolescente (CNSCA), Maria do Céu Machado, que hoje classificou de "perverso" o mercado dos medicamentos em pediatria.
"Como os laboratórios consideram que este é um mercado pequeno, raramente comercializam duas importantes formas de apresentação dos fármacos para as crianças: a suspensão (gotas) e os manipulados (medicamentos elaborados nas farmácias)", considerou Maria do Céu Machado.
Para o ministro da Saúde, que falava aos jornalistas à margem da conferência da CNSCA sobre "A saúde da criança e do adolescente em Portugal", que decorre em Lisboa, as críticas da presidente da CNSCA são um óptimo exemplo de uma análise rigorosa da política do medicamento em pediatria e que surge num "momento oportuno".
Correia de Campos considera que "não tem sentido a administração de medicamentos [às crianças] com uma potência totalmente deslocada em relação ao risco que visa combater".
Um exemplo apontado por Maria do Céu Machado da perversidade deste mercado é a questão de penicilina oral que foi retirada do mercado português por ser "pouco rentável" para os laboratórios.
Esta retirada do mercado levou a que, para o tratamento de uma amigdalite, os médicos tenham de prescrever um antibiótico de largo espectro, que provoca um aumento das resistências do organismo a este fármaco.
"É como matar uma mosca com uma carabina", afirmou.
Correia de Campos mostrou-se disponível para viabilizar a aquisição de grandes quantidades destes medicamentos pediátricos para a sua administração nos centros de saúde.
Para tal, Correia de Campos anunciou a abertura de um concurso para, a meio ano de distância, a indústria se preparar para a colocação destes fármacos no mercado.
Correia de Campos admitiu mesmo fazer pressão sobre a indústria para que esta comercialize fórmulas mais fáceis de medicamentos pediátricos, tais como gotas, e regresse à penicilina.