País
Fecho da MAC motiva novo protesto a 19 de abril
A próxima iniciativa, um desfile entre a Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e o Ministério da Saúde, para evitar o encerramento daquela unidade hospitalar, está marcada para dia 19. A decisão foi ontem tomada em plenário antes de um cordão humano que contou com a participação de mais de 1500 pessoas. A determinação de fechar a maior maternidade do pais, que está quase a comemorar 80 anos de existência e onde já nasceram cerca de 600 mil pessoas, foi anunciada pelo ministro da Saúde na passada segunda-feira.
No plenário foi ainda decidido criar uma plataforma que integra movimentos de cidadãos e sindicatos de forma a “pressionar o Executivo a evitar o encerramento e dar mais um golpe no Serviço Nacional de Saúde”, afirmou à Lusa Ana Amaral, dirigente do Sindicato da Função Pública do Sul e Ilhas.
“A MAC é vida não pode ser destruída”, “Eu nasci aqui, aqui, aqui”, a “A MAC fica o Governo que saia” e “Nós queremos a MAC aberta” foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes, a grande maioria mulheres que participaram no “Abraço à MAC”.
Entre as 1500 pessoas que ontem participaram no cordão humano, que deu duas voltas em torno dos 400 metros do perímetro da maternidade, estavam vários deputados dos partidos da Oposição. Os parlamentares prometeram levar hoje o assunto à Assembleia da República.
Para João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, “é um disparate e um erro fechar a melhor maternidade de Lisboa. Aqui nascem todos os anos milhares e milhares de crianças, é a maternidade com maior número de partos em Lisboa”.
“Não faz nenhum sentido fechar a melhor maternidade de Lisboa e aquela que é escolhida por milhares e milhares de mulheres para terem aqui os seus filhos. Gerações e gerações de lisboetas”, afirmou o deputado bloquista.
“A decisão do Governo é errada e o Governo devia por os olhos nesta manifestação e desistir de encerrar a MAC”, rematou João Semedo.
Também o deputado socialista Miguel Coelho afirmou que não vê “uma única justificação que possa justificar a vontade deste Governo e encerrar a Maternidade Alfredo da Costa”.
“Tenho uma grande esperança que esta mobilização espontânea que está aqui a verificar-se venha a fazer recuar o Governo e obrigá-lo a refletir e a perceber que estão a cometer um grande disparate ao tentarem persistir neste erro colossal”, frisou Miguel Coelho.
Já para Rita Rato, “a decisão do encerramento pode ser derrotada”. A deputada comunista acrescentou que a opção da tutela “começou a ser derrotada nesta grande manifestação de trabalhadores, mas também de populares que se decidiram juntar aqui em defesa da Maternidade Alfredo da Costa”.
Cavaco quer conhecer decisão do Governo
O Presidente da República recusou-se a comentar o eventual encerramento da Maternidade Alfredo da Costa até “conhecer a decisão do Governo”, no entanto realçou a importância daquela unidade hospitalar para a descida da mortalidade infantil em Portugal.
“O Executivo é aquele que, nos termos da Constituição, conduz a política geral do país e não devo neste momento, antes de conhecer a decisão do Governo sobre esta matéria pronunciar-me, apenas reconheço e devo reconhecer o seu contributo para a descida da taxa de mortalidade infantil em Portugal”, afirmou Cavaco Silva.
“A informação que tenho é que neste momento o Governo ainda não tomou uma decisão definitiva”, sublinhou o Chefe de Estado, que realçou a competência dos profissionais que trabalham na MAC
“Sei também, até porque conheço algumas pessoas, que tem profissionais altamente competentes”, rematou Cavaco Silva.
MAC “tem de evoluir”, afirma Passos Coelho
Por sua vez, o primeiro-ministro defendeu ontem, em Maputo, que a Maternidade Alfredo da Costa é “uma unidade histórica em Portugal que não pode ficar parada no tempo, tem de evoluir”.
“O importante é que as pessoas que recorram aos serviços possam ser bem atendidas, atendendo a todas as contingências que possam acontecer, até porque hoje em dia há contingências que possam acontecer na Alfredo da Costa para as quais a maternidade não tem resposta adequada”, afirmou o chefe do Governo aos jornalistas.
“O que nós queremos é que essa resposta possa ser complementada com outros serviços dentro da reorganização que está a ser efetuada”, rematou Pedro Passos Coelho.
Profissionais lamentam decisão
Dois dos médicos da Maternidade Alfredo da Costa, que ontem participaram no cordão humano, criticam a decisão do Governo.
Jorge Branco, o penúltimo diretor da MAC, que terminou funções a 1 de março, afirmou “não entender porque o Governo quer encerrar a maternidade nesta altura, o que vai obrigar a partir as equipas”.
“Para manter a qualidade dos serviços prestados na MAC é fundamental manter as equipas a funcionar como estão e isso só pode concretizar-se com a transferência para outra unidade e não dispersando-as”, defendeu o antigo diretor.
Para o obstetra, “a única solução que se admite, sem que se perca a qualidade do atendimento, seria a mudança para o Hospital de Todos os Santos, que está projetado para a zona Oriental de Lisboa”.
Já Maria José Alves, outra das médicas presentes no protesto, desafiou o primeiro-ministro a visitar a Maternidade Alfredo da Costa.
“Quero daqui enviar um convite pessoal ao professor Pedro Passos Coelho, prometo-lhe uma visita guiada, a mais pormenorizada que quiser e com as pessoas que quiser a esta casa”.
“Parece que ele disse hoje que nós estamos imobilizados no tempo, isso é estar mal preparado em mais um dossier e neste momento eu posso ajudá-lo. A Maternidade Alfredo da Costa tem aumentado a tecnologia, melhorado em conhecimentos científicos e até se tem adaptado às mudanças da sociedade”, afirmou Maria José Alves numa reação às declarações de Pedro Passos Coelho.
“A MAC é vida não pode ser destruída”, “Eu nasci aqui, aqui, aqui”, a “A MAC fica o Governo que saia” e “Nós queremos a MAC aberta” foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes, a grande maioria mulheres que participaram no “Abraço à MAC”.
Entre as 1500 pessoas que ontem participaram no cordão humano, que deu duas voltas em torno dos 400 metros do perímetro da maternidade, estavam vários deputados dos partidos da Oposição. Os parlamentares prometeram levar hoje o assunto à Assembleia da República.
Para João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, “é um disparate e um erro fechar a melhor maternidade de Lisboa. Aqui nascem todos os anos milhares e milhares de crianças, é a maternidade com maior número de partos em Lisboa”.
“Não faz nenhum sentido fechar a melhor maternidade de Lisboa e aquela que é escolhida por milhares e milhares de mulheres para terem aqui os seus filhos. Gerações e gerações de lisboetas”, afirmou o deputado bloquista.
“A decisão do Governo é errada e o Governo devia por os olhos nesta manifestação e desistir de encerrar a MAC”, rematou João Semedo.
Também o deputado socialista Miguel Coelho afirmou que não vê “uma única justificação que possa justificar a vontade deste Governo e encerrar a Maternidade Alfredo da Costa”.
“Tenho uma grande esperança que esta mobilização espontânea que está aqui a verificar-se venha a fazer recuar o Governo e obrigá-lo a refletir e a perceber que estão a cometer um grande disparate ao tentarem persistir neste erro colossal”, frisou Miguel Coelho.
Já para Rita Rato, “a decisão do encerramento pode ser derrotada”. A deputada comunista acrescentou que a opção da tutela “começou a ser derrotada nesta grande manifestação de trabalhadores, mas também de populares que se decidiram juntar aqui em defesa da Maternidade Alfredo da Costa”.
Cavaco quer conhecer decisão do Governo
O Presidente da República recusou-se a comentar o eventual encerramento da Maternidade Alfredo da Costa até “conhecer a decisão do Governo”, no entanto realçou a importância daquela unidade hospitalar para a descida da mortalidade infantil em Portugal.
“O Executivo é aquele que, nos termos da Constituição, conduz a política geral do país e não devo neste momento, antes de conhecer a decisão do Governo sobre esta matéria pronunciar-me, apenas reconheço e devo reconhecer o seu contributo para a descida da taxa de mortalidade infantil em Portugal”, afirmou Cavaco Silva.
“A informação que tenho é que neste momento o Governo ainda não tomou uma decisão definitiva”, sublinhou o Chefe de Estado, que realçou a competência dos profissionais que trabalham na MAC
“Sei também, até porque conheço algumas pessoas, que tem profissionais altamente competentes”, rematou Cavaco Silva.
MAC “tem de evoluir”, afirma Passos Coelho
Por sua vez, o primeiro-ministro defendeu ontem, em Maputo, que a Maternidade Alfredo da Costa é “uma unidade histórica em Portugal que não pode ficar parada no tempo, tem de evoluir”.
“O importante é que as pessoas que recorram aos serviços possam ser bem atendidas, atendendo a todas as contingências que possam acontecer, até porque hoje em dia há contingências que possam acontecer na Alfredo da Costa para as quais a maternidade não tem resposta adequada”, afirmou o chefe do Governo aos jornalistas.
“O que nós queremos é que essa resposta possa ser complementada com outros serviços dentro da reorganização que está a ser efetuada”, rematou Pedro Passos Coelho.
Profissionais lamentam decisão
Dois dos médicos da Maternidade Alfredo da Costa, que ontem participaram no cordão humano, criticam a decisão do Governo.
Jorge Branco, o penúltimo diretor da MAC, que terminou funções a 1 de março, afirmou “não entender porque o Governo quer encerrar a maternidade nesta altura, o que vai obrigar a partir as equipas”.
“Para manter a qualidade dos serviços prestados na MAC é fundamental manter as equipas a funcionar como estão e isso só pode concretizar-se com a transferência para outra unidade e não dispersando-as”, defendeu o antigo diretor.
Para o obstetra, “a única solução que se admite, sem que se perca a qualidade do atendimento, seria a mudança para o Hospital de Todos os Santos, que está projetado para a zona Oriental de Lisboa”.
Já Maria José Alves, outra das médicas presentes no protesto, desafiou o primeiro-ministro a visitar a Maternidade Alfredo da Costa.
“Quero daqui enviar um convite pessoal ao professor Pedro Passos Coelho, prometo-lhe uma visita guiada, a mais pormenorizada que quiser e com as pessoas que quiser a esta casa”.
“Parece que ele disse hoje que nós estamos imobilizados no tempo, isso é estar mal preparado em mais um dossier e neste momento eu posso ajudá-lo. A Maternidade Alfredo da Costa tem aumentado a tecnologia, melhorado em conhecimentos científicos e até se tem adaptado às mudanças da sociedade”, afirmou Maria José Alves numa reação às declarações de Pedro Passos Coelho.