País
Fenprof diz que ministro da Educação "não tem condições políticas para o exercício do cargo" e acusa Governo de falhar
A estrutura representativa dos professores reagiu às declarações desta quinta-feira do ministro da Educação Fernando Alexandre, que deu conta que os exames nacionais não estavam ainda corrigidos na totalidade. A Fenprof acusou o ministro de não assumir a responsabilidade política pelo "fracasso" da sua atuação, tentando culpar os professores pelos atrasos.
(em atualização)
José Feliciano Costa, um dos secretários-gerais da Fenprof disse em conferência de imprensa que o “ministro perdeu de facto o controlo da situação” e, em vez de assumir responsabilidades, “voltou a tentar culpabilizar os professores”, num ataque “injusto e indigno” contra os docentes, que, diz a estrutura sindical, foram aqueles que evitaram que este processo “assumisse proporções ainda mais graves”.
Diz a Fenprof que foi só pela atuação dos professores que “o sistema não entrou em rotura total”.
“Quem governa é que falhou”, assegura o responsável sindical. “É o resultado de políticas irresponsáveis, erradas e uma gestão incompetente”, acusando ainda o ministro da Educação de mentir em várias situações e de ter ignorado alertas, inclusivamente do teste piloto de Filosofia.
“A plataforma falhou porque antes falhou uma decisão política”, diz.
“Chegou o momento de o Governo deixar de procurar bodes expiatórios e assumir com humildade o fracasso da sua atuação”, dizendo que a atual situação dos exames nacionais não é fruto do acaso ou fatalidade tecnológica e resulta, sim, de más escolhas e de ignorar alertas.
O ministro da Educação anunciou esta manhã que 99,3% dos exames estão corrigidos e lança apelo aos professores classificadores para ser possível terminar o processo, dizendo que os docentes não estão disponíveis na plataforma.
A Fenprof acrescenta que os itens que faltam classificar não terão sido ainda disponibilizados". "Não fazemos ideia de como vai terminar este processo", diz um dos secretários-gerais da Fenprof, relembrando que o ministro quer que as correções sejam feitas desta mesma forma na segunda fase.
A estrutura sindical indica ainda que se prevê que haja muitos pedidos de reapreciação de provas na primeira e segunda fases, antevendo-se que o processo se prolongue por agosto, pondo em causa também o descanso dos docentes e sobrecarregando professores e escolas para preparar o início do próximo ano letivo.