Festival internacional de música quer alertar para questão da poluição
A Câmara de Santarém vai realizar em Julho um festival internacional de música junto ao rio Alviela, numa iniciativa de meio milhão de euros para alertar para o problema ambiental daquele curso de água.
O festival vai decorrer entre os dias 07 e 09 de Julho e inclui "alguns dos maiores nomes da música espanhola e anglo-saxónica", disse o presidente da autarquia, Francisco Moita Flores.
Para este evento, a Câmara Municipal espera entre 15 a 20 mil espectadores para uma iniciativa que terá um carácter anual e visa competir com os habitais festivais de Verão, aproveitando a zona envolvente do rio Alviela.
Para garantir o impacto desejado, Moita Flores promete anunciar os nomes do cartaz numa apresentação pública a realizar em "Madrid, Porto, Lisboa e Santarém" que visa garantir a adesão de vários turistas.
No que respeita ao orçamento deste evento, o autarca quer ver aprovada pela oposição uma empresa municipal para gerir este tipo de investimentos que, no seu entender, poderão não ter custos para o município.
"Ou me aprovam a empresa municipal ou os patrocinadores pagam" o evento, disse Moita Flores, salientando que o projecto envolve um orçamento total de 500 mil euros.
No entanto, já existem promessas e acordos para "retorno garantido" de 350 mil euros, considerou o autarca, recordando que esta acção visa também "voltar a chamar a atenção" da opinião pública para os problemas ambientais.
"Não podemos deixar morrer o Alviela", disse, acrescentando tencionar captar 50 mil pessoas dentro de cinco anos para este festival.
Para garantir a adesão, Moita Flores quer preços baixos para as entradas, na ordem dos cinco euros, prometendo ainda o apoio da autarquia nas obras para criar condições para o festival nas margens do Alviela, na freguesia de Vaqueiros.
Em paralelo, está a decorrer uma petição popular para levar o Parlamento a debater a poluição do rio, que tem sido motivo de várias tomadas de posição por parte das juntas e da Câmara de Santarém.
As autarquias acusam a estação de tratamento de esgotos (ETAR) de Alcanena de funcionar de forma deficiente, libertando muitos metros cúbicos de efluentes químicos da indústria de curtumes da zona directamente para o curso de água.
Este equipamento foi construído na década de 1990 mas a associação que gere o sistema de saneamento de Alcanena, constituída pela autarquia e industriais, alega não ter capacidade para assumir os avultados investimentos necessários à reparação de algumas condutas e à conclusão das obras previstas inicialmente no projecto.
Nos últimos anos, as populações ribeirinhas do Alviela têm alertado para as sucessivas descargas de produtos químicos no rio, invertendo a tendência de melhoria da qualidade daquele curso de água.