Fiscalização de terrenos avança em zonas críticas sob alerta de vaga de calor

Fiscalização de terrenos avança em zonas críticas sob alerta de vaga de calor

O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, faz o balanço dos trabalhos e alerta para o aumento do risco de incêndio devido às temperaturas elevadas.

RTP /
O prazo limite para a limpeza de terrenos florestais termina esta terça-feira e os proprietários que não cumpriram a diretiva legal começam agora a ser notificados, enfrentando a aplicação de coimas.

Apesar do encerramento desta janela temporal, as autoridades sublinham que os trabalhos de mitigação podem e devem continuar.

O secretário de Estado da Proteção Civil esclareceu em entrevista à RTP que o fim do prazo serve para acionar os mecanismos de fiscalização por parte dos municípios.

"O que acontece agora é que [os proprietários] entram num processo de serem notificados e de poderem ter as tais coimas (...) para que os municípios possam ter também a legitimidade para entrar nos terrenos dos privados e fazer o levantamento do material lenhoso."

As operações de desobstrução e limpeza registaram avanços significativos, especialmente nas infraestruturas públicas e nas zonas mais fustigadas pelas intempéries recentes.

No que diz respeito às vias rurais e florestais, as autoridades já procederam à desobstrução de quase 8.000 quilómetros de caminhos.

Paralelamente, nas zonas críticas dos concelhos do distrito de Leiria mais afetados - como Leiria, Marinha Grande, Ourém e Pombal -, os trabalhos na rede florestal pública estão já na reta final, sendo que na região de Leiria, por exemplo, faltava limpar apenas cerca de 10% da rede estrutural.

De acordo com o secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, uma plataforma disponibilizada pelo ICNF mobilizou cerca de 7.000 proprietários que sinalizaram a intenção de proceder à limpeza dos seus espaços de forma voluntária.

Atualmente, equipas integradas compostas pelo ICNF, AGIF, GNR, Proteção Civil e Forças Armadas encontram-se a validar o estado das intervenções, recorrendo também ao apoio de imagens de satélite.

O governante sublinhou que os esforços foram fortemente direcionados para 26 concelhos prioritários, com especial enfoque na interface urbano-forestal, onde a proximidade da vegetação aos aglomerados rurais representa um perigo acrescido.

O balanço surge num momento crítico, coincidindo com a previsão do IPMA de uma vaga de calor que trará temperaturas elevadas e vento forte nos próximos dias.

Face a este cenário de risco meteorológico, Rui Rocha emitiu um aviso rigoroso aos proprietários, lembrando que a realização de trabalhos de limpeza está estritamente proibida nos concelhos onde o perigo de incêndio rural atinja os níveis muito elevado ou máximo.

Nas restantes regiões do país onde a atividade ainda é permitida, a Proteção Civil apela a que os cidadãos redobrem as cautelas na utilização de maquinaria que possa gerar faíscas, de modo a evitar ignições acidentais num período de extrema vulnerabilidade florestal.
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