FNE afirma que ano lectivo não está a começar com normalidade

A porta-voz da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) considerou, em declarações à agência Lusa, no Porto, que "o ano escolar não arrancou com normalidade".

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Para a FNE, o Governo continua "a manifestar uma profunda insensibilidade em relação ao drama do nível de desemprego de licenciados para a docência" RTP

"Os professores estão a ser colocados tarde e a más horas, inviabilizando uma correcta preparação do ano lectivo", acrescentou Maria Arminda Bragança.

A porta-voz, que pertence à Direcção Nacional da FNE, sustentou que "estão hoje a apresentar-se, à pressa, nas escolas milhares de professores que deveriam ter sido colocados no final de Agosto, mas cuja colocação apenas saiu terça-feira à noite, havendo ainda milhares de horários por preencher".

"Estes professores não participaram em quaisquer reuniões de preparação do ano escolar, pelo que o ano lectivo não começou, mais uma vez, com normalidade", afirmou a responsável.

O presidente da FNE, João Dias da Silva, afirmou, em conferência de imprensa convocada para dar conta das prioridades reivindicativas daquela estrutura sindicar no ano lectivo que hoje se inicia, que o Governo tem procurado esconder as fragilidades da sua acção no sector, através da "divulgação sucessiva de medidas que não passam de autopromoção".

João Dias da Silva lamentou que o Governo esteja "apostado na divulgação sucessiva de medidas que não passam de operações de autopromoção junto da opinião pública", procurando assim "esconder as fragilidades e inconsequências da sua acção ao evitar reconhecer os erros de funcionamento do sistema educativo".

"O que até há pouco tempo eram factores de estabilidade e segurança para os portugueses, nomeadamente a instituição de exames nacionais rigorosos, os concursos de docentes respeitadores da respectiva graduação profissional, estão hoje transformados em episódios sucessivos de incompetência e irresponsabilidade", afirmou João Dias da Silva.

A FNE considera que, tanto os exames como os concursos para docentes estão hoje postos em causa pelos episódios sucessivos que têm abalado o sector da educação e que este ano se repetiram.

"Acresce que os trabalhadores não docentes continuam a ser, em termos globais, insuficientes para garantirem os serviços de apoio nas escolas e muitos vivem desnecessariamente situações de angústia em resultado da precariedade da sua situação laboral", frisou.

O presidente da FNE considerou também que, por outro lado, o Ministério da Educação revelou "total incapacidade de resposta à necessidade de lançar programas de emergência e de efeitos rápidos em relação a problemas estruturais da sociedade portuguesa".

"Com efeito, a promoção do sucesso escolar e o combate ao abandono escolar - que deveriam ser as primeiras prioridades do Ministério da Educação - não vêem acontecer mais do que a continuação dos ritmos de mudança expectáveis, mesmo que nada fosse feito pelo poder político", disse.

Quanto ao anúncio, pela ministra da Educação, do alargamento da escolaridade mínima obrigatória até ao 12º ano, João Dias da Silva referiu que a FNE está saturada de ouvir essa promessa, reiterada ano após ano, que nunca se concretiza".

"A FNE apoia essa medida, como é óbvio, mas alerta para o facto que ela obrigará a um reforço ainda maior dos mecanismos de combate ao abandono escolar, que já hoje, com a escolaridade obrigatória até ao 9º ano, é insuficiente", frisou João Dias da Silva.

A FNE sublinhou ainda que "os resultados escolares são insuficientes, enquanto o abandono escolar tarda em descer significativamente, de forma a aproximar-se dos níveis médios da União Europeia, vista a 15, a 25 ou a 27".

Para a FNE, "o Ministério da Educação - e o Governo em geral - continuam a manifestar uma profunda insensibilidade em relação ao drama do nível de desemprego de licenciados para a docência, desvinculando-se das suas responsabilidades, em vez de assumirem o protagonismo na definição de políticas activas de emprego para eles".


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