Fogo no centro histórico do Porto o mais negro dos últimos 40 anos
Porto, 09 Jan (Lusa) - O incêndio que hoje vitimou quatro pessoas no centro histórico do Porto foi o mais mortífero de que há memória na cidade, pelo menos nos últimos quarenta anos, disse hoje à Lusa fonte dos Sapadores Bombeiros da cidade.
"Que me recorde, foi o que mais mortes causou", acrescentou.
Quatro mortos, entre os quais dois jovens, é o balanço do incêndio registado, de manhã, num edifício de cinco pisos junto à Torre dos Clérigos, no centro histórico do Porto.
As vítimas são um idoso que residia no segundo andar, onde terá tido início o incêndio, e uma mulher e dois filhos, de 11 e 15 anos, que moravam no quarto andar, acrescentou a mesma fonte.
Um outro morador conseguiu fugir pelo telhado, relataram à Lusa vizinhos do prédio, situado na Rua de Trás, junto à Torre dos Clérigos, no centro histórico do Porto.
As chamas irromperam às 04:58 e foram combatidas por 20 homens dos Sapadores Bombeiros, apoiados por seis viaturas.
O último grande sinistro, no Porto, ocorreu em Junho de 2005, na rua de Santa Catarina, também no centro citadino, onde uma forte explosão vitimou um casal de idosos e desalojou cerca de 20 pessoas, de sete famílias.
O prédio, de três andares, onde se deu a explosão ruiu e um outro contíguo foi demolido por razões de segurança, tendo-se verificado também estragos em dezenas de casas e lojas nas ruas de Santa Catarina e Gonçalo Cristóvão.
É preciso remontar a 2001 para encontrar registo de um incêndio urbano com um número mais elevado de vítimas mortais.
A 01 de Novembro de 2001, seis idosos morreram na sequência de um incêndio num lar situado em Birre, no concelho de Cascais.
Uma das vítimas mortais deste incêndio foi Manuel da Palma Carlos, envolvido nas negociações com a Junta de Salvação Nacional durante a libertação dos presos políticos em 26 de Abril de 1974 e irmão de Adelino Palma Carlos, primeiro-ministro de Portugal durante o Primeiro Governo provisório em 1974.
Antes deste, a 15 de Maio de 1999, outro incêndio a um lar de idosos causou nove mortos em Mem Martins, Sintra.
A agência Lusa tentou, em vão, obter junto da Autoridade Nacional de Protecção Civil, da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e da Liga dos Bombeiros Portugueses um cronologia sobre os incêndios urbanos com maior número de vítimas.
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