Folhetos anónimos insultam e ameaçam pároco de Fragoso, sacerdote desvaloriza

Viana do Castelo, 21 Fev (Lusa) - Folhetos anónimos estão a circular pela freguesia de Fragoso, Barcelos, acusando o novo pároco de "ditador", ameaçando-o de agressão e instando-o mesmo a ir embora da freguesia.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

O padre Brito, todavia, diz que são vozes que não chegam ao céu.

"São desabafos, nada mais que isso. Nem sequer me sinto ofendido, porque cartas anónimas, para mim, não valem nada. Quem quiser criticar, que dê a cara", desafiou hoje, em declarações à Lusa, o padre Brito.

À frente da paróquia de Fragoso desde Agosto de 2007, o sacerdote é fortemente contestado por uma boa parte da população, que o acusa de ter "entrado a matar", disposto a acabar com as tradições mais enraizadas da freguesia e a "pôr e dispor" de um património "que é de todos".

"Ele já esteve à frente da paróquia de Vila Chã, em Esposende, e armou uma guerra que foi notícia nacional, por causa da festa. Agora, parece que vem para aqui com as mesmas ideias, mas pode ter problemas", referiu, à Lusa, um habitante de Fragoso, que pediu, no entanto, o anonimato.

A contestação ao padre preenche as conversas de café da freguesia, mas oficialmente, e pelo menos para já, ninguém quer dar a cara, pelo que as críticas apenas são veiculadas através de papéis anónimos, que circulam de mão em mão.

Os autores desses folhetos acusam o pároco de ser "mentiroso", de apenas querer "dinheirinho", de pretender "acabar com tudo, desde as festas à Pascoela", de não querer flores na igreja e de "correr" com as pessoas que estavam à frente da Comissão Fabriqueira e do Centro Social, escolhendo "quem lhe convém".

No caso da Comissão Fabriqueira, dizem que o padre escolheu "gente que nem quer saber da igreja, mas que é da alta".

Acusam-no ainda de não querer deixar que, na festa da freguesia, que se realiza em Maio, a Senhora do Livramento, como é tradição, vá coberta pelo ouro que os fiéis oferecem à santa, no pagamento de promessas.

"Vai arranjar confusão", avisam.

Chegam mesmo a ameaçar o pároco "com um murro na testa" e pedem-lhe que "faça um favor" à gente de Fragoso, indo-se embora.

Demarcando-se deste tipo de linguagem e de ameaças, outro habitante de Fragoso reconheceu à Lusa que o padre Brito "não sabe falar ao coração das pessoas", "tem uma forma agressiva de passar as suas mensagens" e, além disso, "tem a mania das grandezas".

"Chegou aqui e falou logo em substituir os bancos todos da igreja, quando os que existem estão ainda muito bons e com uma `polidela` ficavam como novos. Mas ele quer comprar outros, que ficam a 750 euros cada um. Ora isto multiplicado por 40 já dá uma conta jeitosa. Gastar tanto dinheiro para quê?", questionou.

As "megalomanias" do padre Brito até já alimentam fóruns na "blogosfera", nomeadamente por causa da capela mortuária que construiu na freguesia de Antas, Esposende, onde também é pároco, e que terá custado cerca de 500 mil euros.

Os habitantes de Fragoso criticam ainda as homilias do padre Brito, acusando-o de falar em "famílias que valem ouro e outras que não valem nada", e dizem que já há muita gente que deixou de ir à missa à igreja paroquial, por não suportar o feitio do pároco nem concordar com os seus métodos.

Confrontado pela Lusa com estas críticas, o padre Brito desvalorizou-as, garantiu que não está ofendido e que se sente "bem, querido e apoiado" em Fragoso.

Acrescentou que ainda não sabe se deixa ou não o ouro sair à rua na Festa da Senhora do Livramento, ressalvando, no entanto, que "o povo é soberano".

Disse ainda que "é normal" um pároco substituir as comissões das instituições que lidera, mesmo que, como foi o caso do Centro Social, o seu mandato ainda nem sequer fosse a meio.

Assegurou ainda que quase nem sequer tem tempo para as homilias e que as utiliza apenas e só para "espalhar a palavra de Deus".

"Cada um vai à missa onde quer", acrescentou.

Quanto à acusação de megalomania, disse que o povo de Fragoso "não tem a mínima razão para falar", já que, desde que tomou conta da paróquia, ainda não fez "qualquer obra".

"São desabafos sem qualquer significado, de apenas uma ou duas pessoas. São vozes que não chegam aos céus", frisou.

VCP.


PUB