Formação específica para Ensino Especial
A Associação Sindical de Professores Licenciados (ASPL) defendeu hoje que os docentes devem ter acesso a formação específica sobre alunos com necessidades especiais, que representam 10 por cento do total, segundo estimativas da Inspecção-geral da Educação.
"É necessário dar prioridade à formação contínua dos docentes, dado que 10 por cento dos alunos têm necessidades educativas especiais", afirmou a sindicalista Helena Lobo, que falava aos jornalistas em Braga, à margem de um seminário sobre "O Ensino Diferenciado numa Escola Inclusiva".
A responsável propôs também a criação de "protocolos com instituições do ensino superior que ajudem os professores a trabalhar com este tipo de alunos".
A ASPL defende ainda "legislação que permita aos docentes recorrer aos especialistas, e a criação de um crédito global de horas [carga horária prevista para cada escola] específico para o apoio dos alunos com necessidades educativas especiais".
"O professor não pode ser um saltimbanco que anda umas horinhas numa escola e depois só aparece na semana seguinte sem saber o que se passou com o seu aluno. Queremos equipas no Agrupamento a resolver os problemas destes alunos", frisou Helena Lobo.
O sindicato exige, ainda, "apoio para os alunos do ensino profissional e universitário" com necessidades educativas especiais e a sua aceitação pelas escolas profissionais financiadas pelo Estado, através da criação de uma quota específica.
Apesar de haver uma Lei de Bases que protege estes alunos - sublinha - "há vários anos que permanece em estudo um diploma sobre esta matéria, e o anterior Governo apenas deixou recomendações, não se sabendo agora qual o sentido do novo Executivo perante a educação especial".
Na sua perspectiva, apesar de existirem as Equipas de Coordenação dos Apoios Educativos, "as escolas não têm capacidade financeira para contratar um psicólogo, um terapeuta da fala ou um outro técnico que possa auxiliar os professores em problemas específicos".
"Estamos longe daquilo que desejaríamos que fosse a educação inclusiva", frisou.
Helena Lobo sustentou também que "falta dar um sinal de que as escolas são um local onde todos os alunos têm direito a aprender".
"Há uma série de boas práticas. Há professores muito à frente da legislação. Mas, ainda é preciso muito para se respeitar o direito destas crianças portadoras de deficiência", lamentou.