Fortaleza de Sagres - Voluntários colhem quatro toneladas de planta infestante
Uma jornada ecológica hoje levada a efeito na Fortaleza de Sagres pela Liga para a Protecção da Natureza (LPN) resultou no arranque de cerca de quatro toneladas de chorão, planta exótica invasiva prejudicial às espécies próprias da região.
Segundo Alexandra Cunha, da LPN, durante a manhã e o princípio da tarde os 15 voluntários que corresponderam ao pedido da associação ecologista algarvia conseguiram encher quatro pequenas camionetas, cada uma das quais com mil quilos de plantas.
"Foi menos de metade do ano passado, mas o que mais nos satisfez foi verificar que a área de 2005 não foi invadida pela espécie desde então e está cheia de outras espécies muito variadas, o que significa que o trabalho está a valer a pena", disse a ambientalista à agência Lusa.
Alexandra Cunha calcula em meio hectare a zona limpa hoje de manhã, junto ao auditório, contra cerca de um hectare no ano passado, mas observa que "o mais importante é a sensibilização das pessoas para a importância deste trabalho e para a realidade desta espécie".
De facto, de acordo com a ecologista, apesar de se tratar de uma espécie bonita, que pode ser usada como planta ornamental de jardim, o chorão acaba por se apropriar da água e nutrientes necessários à espécies primitivas da região, acabando por as matar.
A espécie, também chamada chorão das areias, foi trazida da África do Sul nos séculos XV e XVI para ajudar a evitar a erosão das dunas, já que era muito resistente no areal.
"Afinal, concluiu-se que as raízes eram curtas e que, portanto, não ajudavam a sedimentar as dunas", disse a ecologista, lamentando que a espécie esteja a matar grande parte da flora de todo o litoral português, nomeadamente nas zonas protegidas.
Com o nome científico de carpobrotus edulis, trata-se de uma planta rasteira de aspecto carnudo de onde desponta uma flor cor-de- rosa.
Na acção de hoje, os voluntários arrancaram as plantas à mão, com cuidados para não deixar propágulos (pedaços de planta que depois facilitam a sua propagação) e transportaram-nas em carrinhos de mão cedidos pela Câmara Municipal de Vila do Bispo, para pequenas camionetas emprestadas pela Algar, empresa de tratamento do lixo no Algarve.
Realizada com o consentimento do Parque Natural da Costa Vicentina, a acção contou também com o apoio da Fortaleza de Sagres.