Forte da Ínsua acolhe centro de recursos e estudo do mar e rios
O Forte da Ínsua, em Caminha, vai acolher o Centro de Estudos de Recursos e Animação do Mar e dos Rios (CEAMAR), após obras de recuperação orçadas em cerca de 4,3 milhões de euros.
Segundo Rui Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), entidade proprietária daquele forte, o projecto de recuperação foi desenhado pelo arquitecto Fernando Távora, entretanto falecido, e arrancará logo que for desbloqueada a verba necessária.
O forte será dotado de gabinetes de trabalho para o pessoal científico permanente e para os cientistas e investigadores que lá se desloquem, sala de apoio documental, sala de informática com computadores ligados à Internet, salas de reuniões e de conferências, casa do pessoal residente e quartos.
O projecto de Fernando Távora, que custou 100 mil euros ao IPVC, preconiza ainda a instalação de um bar, salas de refeições, esplanada e cozinha, além de um laboratório.
Neste projecto, que remonta a 2002, mas que hoje foi novamente apresentado no congresso "Um mar de oportunidades" que decorre em Viana do Castelo, numa iniciativa da Ordem dos Biólogos, estarão ainda envolvidos, além do IPVC, as universidades do Minho e de Aveiro e o Instituto Abel Salazar.
Rui Teixeira disse à Lusa que, neste momento, está ainda a ser estudada a forma de acesso ao forte, situado numa ilha do rio Minho, adiantando que poderá ser de barco ou de teleférico.
Outro problema que se coloca é o abastecimento de água potável, uma vez que o poço existente no interior do forte "não deverá ser" suficiente para as necessidades de funcionamento do CEAMAR.
O Forte da Ínsua está classificado desde 1910 como monumento nacional, tendo sido cedido ao IPVC em 2003.
O CEAMAR é uma estrutura interdisciplinar e multifuncional dedicada aos estudos e investigação sobre pesca, aquacultura, recursos hídricos e ambiente, e ainda à animação e ao turismo científico-cultural.
Nesta última vertente, os investigadores poderão desenvolver os seus estudos em regime residencial, sendo ainda intenção do IPVC e restantes promotores do projecto atrair investigadores em formação (mestrandos ou doutorandos) para a realização das suas teses sobre os recursos do Alto Minho.
O CEAMAR vai ainda apoiar o Programa Integrado de Aproveitamento do Mar e Rios do Alto Minho, que visa, concretamente, a preservação dos valores ambientais, naturais e construídos da região e a qualificação das frentes marítimas e fluviais.
Neste âmbito, o vereador do Ambiente na Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, apresentou hoje publicamente, no mesmo congresso, a proposta, que está a ser trabalhada pela comunidade urbana Valimar, de criação naquela cidade de um Centro de Mar dedicado à cultura e ao património marítimos.
José Maria Costa explicou que a ideia é implantar na cidade um espaço que fale da história das navegações, movimentos da pesca do bacalhau, navios, artes, usos e costumes ligados ao mar.
Este centro poderá ter "ramificações" em todos os outros concelhos da Valimar, concretamente Esposende, Caminha, Ponte de Lima, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez.
O vereador disse que ainda não está definido o local para o Centro de Mar, mas admitiu que o chamado Castelo Velho da cidade, na Praia Norte, poderá ser uma possibilidade.