Fóssil de elefante da Beira Baixa entre as peças que Vila Velha de Ródão quer acolher em centro de interpretação

A Câmara de Vila Velha de Ródão vai criar um centro de interpretação de arte rupestre e vestígios arqueológicos do vale do Tejo, adiantou à Agência Lusa a presidente da autarquia, Maria do Carmo Sequeira.

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O projecto, orçado em 400 mil euros, vai ser candidatado ao Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) e pretende recuperar o antigo edifício dos Paços do Concelho, onde hoje funciona o espaço municipal de cultura.

Entre outras peças, o centro pretende albergar o levantamento de gravuras rupestres, feito em moldes, antes da barragem do Fratel as submergir (1974), bem como vestígios arqueológicos da presença humana e de fauna descobertos em estações arqueológicas.

Peças que actualmente estão ao cuidado de entidades locais e nacionais ligadas à recolha e actividade arqueológica.

Segundo Carlos Carvalho, director técnico do Geopark Naturtejo, o fóssil de um dente de elefante é um dos achados mais relevantes.

Foi encontrado durante os trabalhos nas décadas de 80 e 90 na estação arqueológica de Foz de Enxarrique e mostra que há 33.500 anos atrás aqueles animais de grande porte viviam a região.

"Foram os próprios vestígios que, ao serem analisados, permitiram fazer a datação radiométrica", explica aquele responsável. Ou seja, os últimos elefantes que viveram na Europa terão povoado o vale do Tejo.

Outros vestígios de fauna, "parentes de cavalos, veados e aves", bem como inúmeros artefactos humanos, constituem o espólio.

O espaço municipal de cultura já inclui actualmente uma exposição permanente sobre a temática coordenada por Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia e dos estudiosos do vale do Tejo.

"O centro de interpretação de arte rupestre faz parte de um projecto global de requalificação da margem direita do Tejo, no concelho de Vila Velha de Ródão", realça Maria do Carmo Sequeira.

Os trabalhos incluem um novo cais (já concluído), um centro náutico e um caminho pedonal na Foz do Enxarrique com requalificação da estação arqueológica que está classificada como Imóvel de Interesse Público.

A autarca realça que do cais partem actualmente "operadores privados que organizam viagens a alguns núcleos de gravuras que ainda estão visíveis acima das águas do Tejo".

Por outro lado, "a formação rochosa das Portas de Ródão", uma garganta atravessada pelo Tejo, "foi classificada pelo Instituto de Conservação da Natureza, como Monumento Natural Nacional, aguardando-se em breve a publicação do decreto regulamentar".

"Tudo isto são factores que contribuem para a promoção do património natural e histórico do concelho", conclui a autarca.

Segundo Armindo Jacinto, presidente da Naturtejo, os projectos da Câmara de Vila Velha de Ródão vão integrar o plano integrado que a empresa intermunicipal de promoção turística pretende candidatar ao QREN.

"O plano integrado deverá estar concluído dentro de cerca de dois meses. O contributo de cada autarquia que integra a Naturtejo está neste momento a ser concluído", refere Armindo Jacinto.

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