Freguesia da Estrela acusa Câmara de Lisboa de "inoperância" sobre instalações da escola 72
A Junta de Freguesia da Estrela, em Lisboa, acusou hoje a Câmara Municipal de "inoperância" na gestão das instalações transitórias da escola básica 72, disponibilizando instalações para "receber de forma extraordinária os alunos" no início do ano letivo.
"Não podia ficar impávido e sereno quando sou confrontado, sem ser consultado, com a possibilidade de as crianças irem para um local longínquo", afirmou o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, Luís Newton (PSD), num comunicado dirigido aos encarregados de educação da escola 72.
Neste âmbito, o autarca anunciou a preparação das instalações da Junta de Freguesia para esta eventualidade, "podendo oferecer totais condições para o início do ano letivo até que as instalações temporárias estejam disponíveis", com a expectativa de que esta transição contará com o apoio do Agrupamento de Escolas Bartolomeu de Gusmão.
"Infelizmente, a inoperância da Câmara na gestão das instalações transitórias da escola 72, no Largo do Rato, impediram que se reunissem as condições para reabrir a escola com as condições mínimas (ainda assim longe das desejáveis)", avançou Luís Newton, reforçando a intenção de garantir que a comunidade da freguesia lisboeta da Estrela tenha um local seguro para deixar os filhos enquanto procuram uma "nova normalidade", no âmbito da pandemia de covid-19.
Além da informação dirigida aos encarregados de educação, o presidente da Junta de Freguesia da Estrela escreveu um outro comunicado sobre a situação, com o título "última gota", criticando o trabalho de Manuel Grilo (BE), vereador com o pelouro da Educação e dos Direitos Sociais na Câmara Municipal de Lisboa.
"Estou infelizmente habituado a lidar com a inoperância do vereador Manuel Grilo, mas confesso que atingi o meu limite e sinto que a cidade de Lisboa também. Numa altura com desafios tão fundamentais e que exigem tanta preparação e competência para recuperarmos o mínimo de normalidade, é incomportável continuar a ter um ativista que se rege apenas por motivações ideológicas a gerir a maior de todas as batalhas: a da reabertura das escolas", declarou Luís Newton.
Considerando que Manuel Grilo não estava pronto para ser vereador e que "isso é evidente a cada dia que passa", o autarca da Estrela pediu a demissão do vereador e a renúncia ao mandato, argumentando que "todo o tempo que continuar no cargo será tempo perdido na resposta educativa e de direitos sociais na cidade de Lisboa".
"Não nos podemos resignar à incompetência", frisou o presidente da Junta de Freguesia da Estrela.
A Lusa solicitou ao gabinete do vereador Manuel Grilo informação sobre as instalações transitórias da escola básica 72, assim como uma reação às críticas do autarca Luís Newton, mas aguarda ainda resposta.