Freguesia de Albergaria da Serra contesta encerramento de escola

O presidente da Junta de Albergaria da Serra, no concelho de Arouca, manifestou-se hoje contra o encerramento da escola básica da aldeia, advogando que com ela se perde "a alma da freguesia".

Agência LUSA /

"É um meio de acabar com o interior do país. A escola é a alma da freguesia e com o seu encerramento é mais uma aldeia que morre aos poucos", disse Pedro Tavares, que preside aos destinos daquela pequena aldeia, perdida na Serra da Freita.

O autarca falava num encontro com jornalistas promovido pelo Sindicato dos Professores do Norte, no qual manifestou "o sentimento de revolta e impotência" da população.

"Deviam manter um núcleo escolar na Serra, com alunos de toda a Freita, mesmo de concelhos vizinhos, e não acabar com todas as escolas da zona serrana", defendeu o autarca, lembrando que os alunos "vão ter de se levantar mais cedo" e chegar mais tarde a casa.

Pedro Tavares afirmou que os governos "nada têm feito para fixar a população" e que o fecho da escola "só vai aumentar a tendência para ir viver para o Litoral e engrossar os problemas das grandes cidades".

A escola básica de Albergaria da Serra é uma das 23 da Serra da Freita que deverão ter alunos pela última vez este ano, de acordo com uma decisão do Ministério da Educação que o Sindicato contesta.

Segundo Francisco Gonçalves, daquele sindicato, todas as escolas serranas dos concelhos de Arouca e Vale de Cambra encerram este ano e, a prazo, serão encerradas também as escolas da encosta, dada a tendência demográfica.

"Foi uma decisão unilateral da Direcção Regional de Educação do Norte, sem a participação das comunidades educativas e é falso que os alunos sejam transferidos para boas escolas, como é o caso dos de Albergaria da Serra, que vão ter de ir para Provisende, que não tem cantina e tem inúmeras falhas de recursos", afirma o sindicalista.

Para Francisco Gonçalves, a medida visa apenas "poupar uns trocos, para a Ministra poder exibir redução das despesas à custa dos alunos e das famílias e fazendo aumentar o desemprego dos professores".

No caso de Arouca e Vale de Cambra, as autarquias não têm orçamento para custear o acréscimo de custos com a deslocação desses alunos em transportes escolares e também não há verbas para construir centros educativos com as condições necessárias.


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