Freitas define "a sua" diplomacia económica
Diogo Freitas do Amaral apresentou hoje as suas linhas mestras da diplomacia económica e explicou-as de uma forma pragmática aos embaixadores de Portugal no mundo, reunidos em Lisboa para o Seminário Diplomático de 2006.
Num tom que não é o habitual nos seminários diplomáticos, o ministro dos Negócios Estrangeiros optou por não fazer o habitual discurso e falou aos embaixadores de Portugal no mundo de uma maneira quase informal, explicando-lhes a sua visão da diplomacia económica e dando exemplos concretos de como ela deve ser aplicada.
O ministro anunciou aliás que, estando concluído o difícil "dossier" das perspectivas financeiras da União Europeia, a sua "tarefa principal" em Janeiro e Fevereiro vai ser "escrever um novo despacho" definindo a diplomacia económica portuguesa.
"Não me revejo no despacho que está em vigor (desde Maio de 2004) e quero crer que a maioria dos diplomatas também não se revê nele. Penso que não é, pura e simplesmente, aplicável", disse Freitas do Amaral numa intervenção recheada de críticas aos seus antecessores.
Na definição que apresentou da diplomacia económica, o ministro distinguiu o sentido estrito, relativo à parte que é executada por diplomatas que se ocupam de assuntos económicos, e um sentido amplo, "o sentido corrente", que envolve os diplomatas mas também o ICEP Portugal (Instituto das Empresas para os Mercados Externos), a Agência Portuguesa de Investimentos e o Instituto do Turismo, organismos cujas iniciativas "não são executadas por diplomatas".
Frisou, neste passo, que "a diplomacia é uma actividade una" e disse "discordar inteiramente" da distinção feita pelo ex-ministro dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz "entre a diplomacia económica e a diplomacia do croquete".
"Nenhuma das formas da diplomacia corresponde à diplomacia do croquete (Ó) Quem abraça a carreira diplomática (Ó), ao fim de algum tempo, abomina `cocktails` e recepções. (Ó) Foi uma expressão muito infeliz que devemos considerar banida", declarou Freitas do Amaral.