Função pública cumpre segundo dia de greve

Função pública cumpre segundo dia de greve

Os funcionários públicos cumprem esta sexta-feira um segundo dia de greve. Ao início da manhã a adesão era “muito elevada” nos setores da saúde, educação, finanças e autarquias. Várias escolas estavam encerradas e a recolha de resíduos sólidos não foi realizada.

Cristina Sambado - RTP /
Arménio Carlos esteve esta manhã junto à Escola EB2/3 Manuel da Maia, em Lisboa, que está encerrada devido à greve Tiago Petinga - Lusa

Na base da paralisação, que envolve sindicatos da CGTP e da UGT, está o facto de o Governo prolongar o congelamento dos salários por mais um ano, limitando-se a aumentar o nível remuneratório mais baixo da Administração Pública, de 580 para 635,07 euros, na sequência do aumento do salário mínimo nacional para os 600 euros.

Arménio Carlos, secretário-geral da CTGP, afirma que a greve está a ter uma forte adesão.

“Parece-nos que estamos perante uma grande greve, com uma grande adesão, que confirma não só a indignação, mas também o descontentamento dos trabalhadores face ao facto de não terem, ou não verem correspondidas as suas reivindicações”, afirmou o secretário-geral da CGTP à RTP.

Para Arménio Carlos, “o que está em causa é precisamente a exigência da valorização de quem trabalha, de quem todos os dias desenvolve uma atividade profissional para melhorar a qualidade dos serviços públicos a prestar às populações e simultaneamente isso tem que passar pelo aumento dos salários”.

“É inadmissível com a economia que temos neste momento e que está em crescimento, que há dez anos que os trabalhadores não tenham qualquer atualização salarial. É inadmissível que as carreiras continuem a não ter um desbloqueamento que se justificava e exigia”, acrescentou.

Para o sindicalista, que esteve à porta da escola EB2/3 Manuel da Maia, em Lisboa, “é inadmissível que no mesmo momento em que o Governo diz que quer combater a precariedade, nesta escola se continue a contratar trabalhadores a três horas e meia por dia para prestar serviços permanentes e chegando ao fim de junho são dispensados para depois regressarem em outubro”.

“São estas as questões que hoje estão em cima da mesa e que nos levam a dizer que os trabalhadores têm razão, apelar à população que também apoie esta luta, porque esta luta tem uma relação direta também com a melhoria dos serviços públicos”, defendeu.

Segundo o sindicalista, os serviços públicos mais afetados são “os resíduos sólidos, a área da saúde, nomeadamente os hospitais, a educação e também outros serviços ligados à área central do Estado, particularmente aqueles que têm a ver com as finanças, com os tribunais, etc”.
Mais um ano sem aumentos salariais
Ana Avoila, dirigente da Frente Comum dos sindicatos da Função Pública, considera inaceitável que os funcionários públicos fiquem mais um ano sem aumentos salariais.

“Não aceitamos ficar mais um ano sem aumento dos salários. Seiscentos mil trabalhadores que ficam de fora mais uma vez. É inadmissível que o Governo que tem todas as condições, na nossa opinião, tendo em conta a maioria parlamentar que tem à sua esquerda que lhe permite fazer aquilo que não foi feito há uns anos a esta parte, que passe quatro anos sem fazer aumentos de salários”, afirmou a sindicalista no programa Bom Dia Portugal.

Ana Avoila explicou que a greve acontece nesta altura, porque “acabou há pouco mais de um mês a última reunião de negociação. Em que o Governo fez orelhas moucas mais um ano à reivindicação dos trabalhadores sobre aumentos salariais”.

A dirigente da Frente Comum não tem dúvidas que o Governo tem margem financeira para esses aumentos. “O dinheiro que está no Orçamento do Estado pode ser distribuído de outra maneira. Aliás, o ministro Centeno já disse que vai fazer mais cativações. É fazer menos cativações. É olhar mais para o país. E olhar para o país é olhar para os trabalhadores em geral. Para os trabalhadores da Administração Pública, que por sua vez dão o sinal ao setor privado também para haver aumentos de salários”.

“O Governo faz opções e vai pela opção que para ele é mais fácil, prejudicando o serviço público, que está cada vez mais degradado e os trabalhadores desmotivados e com rendimentos cada vez mais baixos. E isso não é aceitável”, acusou.
Governo pratica “política de faz de conta”
Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, acusa o Governo de praticar uma “política de faz de conta”.

“O Governo teima em manter posições que são posições de facto para enganar os portugueses, para enganar o povo, são posições que correspondem a uma política de faz de conta”, afirmou Mário Nogueira em entrevista ao Bom Dia Portugal.


O secretário-geral da Fenprof recorda que “desde 2009 que os salários estão congelados, as carreiras são descongeladas mas depois o tempo não reverte para efeitos de futuras progressões”.

“Na aposentação há um discurso de reconhecimento do envelhecimento da Administração Pública e de alguns setores em particular, no caso dos professores, por exemplo, a necessidade de rejuvenescer e não é feito absolutamente nada. Pelo contrário, no caso dos professores, a idade média já ultrapassou os 50 anos”, acrescentou.

C/Lusa
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