Funcionários consulares fazem abaixo-assinado contra imposição de novos horários, ameaçam fazer greve
Lisboa, 13 Fev (Lusa) - Os trabalhadores do consulado de Portugal em Paris fizeram um abaixo-assinado contra a imposição de novos horários e ameaçaram fazer greve se não forem consultados sobre essa matéria.
"A embaixada informou a comunidade que os horários vão mudar, mas nem se preocupou em falar os funcionários consulares, seja os de Paris, Versalhes ou Nogent-sur-Merge", disse hoje à Agência Lusa um funcionário do posto de Paris, que pediu o anonimato.
Em causa está o alargamento do horário de funcionamento do consulado de Portugal em Paris, que a partir de 01 de Abril vai estar aberto das 08:00 às 20:00, no âmbito da reestruturação consular.
Essa alteração de horário deve-se ao facto de o posto de Paris ir receber os serviços e os funcionários dos consulados de Tours e Orleans (que encerraram a 18 de Janeiro), Versalhes (que fecha na sexta-feira) e de Nogent-Sur-Marne (que encerra a 14 de Março).
Contactado telefonicamente pela Lusa a partir de Lisboa, o funcionário do consulado da capital francesa afirmou que os trabalhadores decidiram fazer um abaixo-assinado para mostrar o seu descontentamento e exigir serem consultados sobre as alterações de horário.
"Há pessoas que se deslocam 200 quilómetros para vir trabalhar. Saem às 06:30 de casa para entrarem às 09:00 e em Paris, a partir das 20:00, a frequência dos transportes não é a mesma. Os comboios são de hora a hora. O que significa que não há perspectiva de vida familiar para essas pessoas", disse o funcionário.
Apesar de afirmar que o consulado de Paris "vai ter pouco pessoal para atender", porque reformaram-se 16 funcionários nos últimos meses e os que vêm dos outros postos "não são suficientes", aquele funcionário acredita que "há a possibilidade de organizar o serviço devidamente".
"Mas tem de ser conciliado com o interesse da comunidade e com o interesse dos funcionários", sublinhou.
Caso os trabalhadores continuem sem ser consultados, o funcionário admite que o próximo passo será a greve.
"Tivemos agora uma reunião e ficou bem claro que vamos recorrer à paragem de serviço se decidirem impor os horários", garantiu.
A Agência Lusa tentou contactar com a Embaixada de Portugal em Paris para obter um comentário, mas até ao momento não foi possível.
MCL.