Funcionários Judiciais desiludidos com reunião no Ministério admitem greve

Funcionários Judiciais desiludidos com reunião no Ministério admitem greve

O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais, Fernando Jorge, saiu hoje "desiludido" da reunião com o ministro da Justiça, admitindo recorrer à greve caso o Ministério não inicie até Setembro um verdadeiro diálogo com os sindicatos.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

"Se até Setembro não houver uma alteração significativa da atitude do Ministério, sobretudo ao nível do diálogo institucional, vamos equacionar todo o tipo de acções", afirmou Fernando Jorge, no final do encontro.

Sem querer adiantar as formas de protesto que serão adoptadas, o representante dos funcionários judiciais lembrou, no entanto, que "a greve é um direito constitucional" de que o sindicato não abdica e ao qual poderá voltar a recorrer, "caso seja necessário".

Na audiência com o ministro da Justiça para discutir os principais problemas do sector participaram também o bastonário da Ordem dos Advogados, o presidente da Associação Sindical de Juízes Portugueses e o responsável pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público.

O representante dos funcionários judiciais foi, no entanto, o que saiu mais insatisfeito do encontro, afirmando-se "desiludido" por não terem sido discutidas "medidas concretas para melhorar o funcionamento da Justiça e a credibilidade dos operadores judiciários".

"Em relação a nós, oficiais de Justiça, saio ainda mais desiludido porque constatei que fomos marginalizados e ignorados. A manter-se este tipo de situação, a nossa atitude vai ter de ser outra e será, naturalmente, uma atitude de protesto e indignação", referiu.

Em declarações aos jornalistas, Fernando Jorge lamentou ainda que os funcionários judiciais tenham tido conhecimento através da comunicação social de medidas do Governo que afectam o sector como o congelamento das progressões nas carreiras e as alterações ao estatuto de aposentação.

"Noutros ministérios tem havido diálogo entre o titular da pasta e os representantes do sector e nós não constatamos isso no Ministério da Justiça. É isso que exigimos", reiterou.

Segundo o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Baptista Coelho, os representantes das profissões judiciárias manifestaram hoje ao ministro Alberto Costa a sua disponibilidade para o diálogo e a sua "preocupação e desagrado relativamente à maneira como a política de Justiça tem sido conduzida pelo Governo".

Os sindicatos contestam, essencialmente, a diminuição das férias judiciais de dois para um mês (Agosto), o congelamento das carreiras das magistraturas e o novo estatuto sócio-profissional, medidas que consideram ser altamente penalizadoras para o sector.

De acordo com o bastonário da Ordem dos Advogados, Rogério Alves, a reunião no Ministério da Justiça serviu ainda para "desanuviar um ambiente que se criou e que confunde a constatação do que corre mal no sector com a imputação da culpa às profissões judiciárias".

"Viemos manifestar desagrado por sermos permanentemente bodes expiatórios de coisas de que não temos culpa", afirmou o bastonário, ressalvando que o ministro foi "muito receptivo e mostrou que também não quer que se crie um antagonismo entre o Ministério e as profissões judiciárias".


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