Fundação Champalimaud e ANF combatem contrafacção de medicamentos
A Fundação Sommer/Champalimaud e a Associação Nacional de Farmácias (ANF) assinaram um protocolo de cooperação com especial incidência no combate à contrafacção de medicamentos nos países africanos de expressão portuguesa e na promoção das ciências farmacêuticas.
O protocolo foi assinado pela presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, e pelo líder da ANF, João Cordeiro, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, José Sócrates, e que contou também com a presença do ministro da Saúde, Correia de Campos.
Por um prazo de dois anos, as duas entidades comprometeram-se a colaborar na "promoção do desenvolvimento das ciências farmacêuticas e, em particular, na investigação sobre a qualidade dos medicamentos nos países africanos de língua portuguesa".
Segundo o texto do protocolo, o problema da contrafacção de medicamentos assume especial dimensão no mercado angolano.
"Os medicamentos contrafeitos representam actualmente cerca de sete por cento do total a nível mundial e cerca de 25 por cento dos países em desenvolvimento", refere o documento.
Antes da assinatura do protocolo, em que também esteve presente o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, o primeiro-ministro visitou as novas instalações do novo Laboratório de Estudos Farmacêuticos (LEF) - um investimento na ordem dos dez milhões de euros, totalmente suportado pelo sector das farmácias.
Como principais linhas de actividade, o LEF, criado em 1992, continuará a desenvolver novos medicamentos, tendo como objectivo aumentar a competitividade da indústria farmacêutica nacional.
Outros objectivos do laboratório passam pelo apoio à produção personalizada de medicamentos e redução das assimetrias no acesso ao medicamento.
De acordo com dados da direcção técnica do LEF, a venda de serviços para o mercado internacional representa mais de 20 por cento da actividade do laboratório.
Numa curta intervenção, o ministro da Saúde desafiou os responsáveis do LEF (uma entidade privada) a interligarem-se mais com a rede de laboratórios do Estado.
Correia de Campos sublinhou que a indústria farmacêutica aumentou as suas exportações de 300 para 400 milhões de euros no último ano e defendeu que o LEF é "um investimento virado para o futuro".
"No domínio do medicamento, haverá grande instabilidade internacional", disse, numa referência "à globalização da doença".
"Sobretudo por esta razão, o LEF tem uma elevada importância estratégica", sustentou Correia de Campos.