Futuro do plano de regularização de imigrantes no Canadá preocupa portugueses
Emigrantes portugueses no Canadá manifestaram-se hoje apreensivos relativamente ao plano de regularização dos trabalhadores indocumentados, que poderá estar em risco caso o governo canadiano veja derrotada a moção de confiança a apresentar no parlamento quinta-feira.
O chumbo da moção de confiança que o governo vai apresentar no parlamento levará à realização de eleições antecipadas, que deverão ser ganhas pelos conservadores, segundo as sondagens.
"Estou apreensivo com o que pode acontecer aos nossos compatriotas, mas ao mesmo tempo tenho esperança que o governo canadiano aprove o plano de regularização antes de quinta-feira", disse à Agência Lusa o presidente da comissão de apoio aos portugueses indocumentados, António Letra.
Para o mesmo responsável, caso a moção de confiança seja derrotada e o Governo mude, a comissão terá que reiniciar o processo que exige a legalização de todos os imigrantes ilegais, entre os quais se encontram cerca de 10 mil portugueses.
"Se outro governo for eleito, poderá mudar o processo de regularização dos indocumentados", adiantou António Letra.
No entanto, sublinhou estar convencido que o próximo Governo "tudo irá fazer para legalizar os imigrantes", mas poderá levar mais algum tempo.
António Letra disse ainda ter indicações do ministro da Imigração canadiano, Joe Volpe, de que o diploma que permite a regularização dos trabalhadores indocumentados será submetido ao conselho de ministros antes de quinta-feira, mas a aprovação depende da prioridade dos assuntos.
Por seu lado, o português António Francisco, ilegal no Canadá há cinco anos, disse à Agência Lusa que um governo conservador "pode fazer voltar tudo à estaca zero".
"Os conservadores podem olhar mais para a lei da imigração já existente do que para a contribuição muito válida que damos à economia canadiana", referiu o emigrante que trabalha na construção civil.
António Francisco criticou ainda as promessas não cumpridas até à chegada de Joe Volpe ao governo.
"Cada vez que temos um novo ministro temos uma nova fonte de indecisões", adiantou o português que vive em permanente receio de ser detido pela polícia e depois deportado para Portugal.
Um outro português em situação irregular realçou à Lusa que "viver no Canadá é como se estivesse na prisão".
Este emigrante não põe os filhos na escola para não haver "tentações" de os mandarem todos embora, apesar de já terem nascido no país.
Em declarações hoje ao jornal canadiano Toronto Star, o ministro da Imigração referiu que o plano de regularização dos trabalhadores indocumentados, que seria aprovado pelo governo brevemente, poderá estar em risco caso o governo liberal veja derrotada a moção de confiança que será apresentada quinta-feira no parlamento.
"Se o governo for derrubado e houver novas eleições, o tema volta à estaca zero, deixando cerca de 100 a 200 mil trabalhadores indocumentados numa situação difícil", afirmou Joe Volpe.
A situação dos trabalhadores indocumentados já levou a câmara municipal de Toronto a aprovar, na semana passada, uma moção, na qual apela ao governo canadiano a legalização dos imigrantes.
Cerca de dez mil portugueses vivem em Toronto e nos arredores em situação ilegal, trabalhando a maioria na construção civil e limpezas.
A morar em Toronto há mais de sete anos, alguns destes trabalhadores portugueses indocumentados já compraram casa, vivem na Dundas Street (zona de concentração de portugueses), não sabem falar inglês e vieram para o Canadá porque já tinham uma pessoa de família a viver neste país.