Gangue "especializado" em carjacking, roubo de Multibancos e assaltos a carrinhas de valores vai a tribunal em Janeiro

Porto, 14 Dez (Lusa) - O Tribunal de São João Novo, no Porto, inicia a 31 de Janeiro o julgamento de doze indivíduos acusados do roubo de máquinas Multibanco, assalto a carrinhas de valores e roubo de veículos através do carjaking, num valor superior a um milhão de euros.

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De acordo com informações obtidas hoje pela Lusa, o Ministério Público (MP) fixou em exactamente em 1.104.415 euros e 64 cêntimos o montante global que o grupo lucrou com a sua actividade criminosa, centrada no Litoral Norte de Portugal.

Os arguidos, com idades entre 25 e 40 anos, estão acusados da prática, em co-autoria material e em concurso real, de 69 crimes, a maioria na forma consumada, ao longo de 2004 e 2005.

São-lhe imputados crimes que vão desde a associação criminosa à posse de arma proibida, roubo e furto qualificado, nas formas consumada e tentada, bem como falsificação de documentos.

Em meados de 2005, juntou-se ao gangue o arguido José Barbosa, que tinha acabado de cumprir pena por outros delitos, que enfrenta 44 acusações, descreve o MP.

O roubo de um carrinho de compras de hipermercado, onde um funcionário de uma empresa de transporte de valores levava sacos contendo quase 100 mil euros (95.939,92 euros), integra o leque de crimes imputados ao grupo.

O carrinho "milionário" foi roubado à 01:25 de 13 de Setembro, no parque de estacionamento inferior do Hipermercado Continente da Senhora da Hora, Matosinhos, concelho de residência da maioria dos arguidos.

Os assaltantes, a maioria dados como vendedores de automóveis, actuaram encapuzados e armados e chegaram a disparar sobre um segurança do hipermercado, que não foi atingido.

Numa actividade intensa, com roubos que em alguns momentos atingiram o ritmo bidiário, este gangue chegou a encurralar e a metralhar viaturas de transporte de valores (VTV) em auto-estradas ou nos seus acessos, de acordo com as descrições dos autos.

Às 23:54 de 08 de Dezembro de 2005, atingiram a tiro uma VTV que circulava na A3, perto de Braga, quando o seu condutor tentou fugir, em macha-atrás, ao bloqueio que lhe fizeram com um automóvel Subaru Impreza, roubado em Esmoriz, Ovar.

Apesar da audácia do ataque, os assaltantes acabaram por fugir sem roubar os 278,9 mil euros que a viatura de valores levava.

De outra VTV assaltada, às 02:00 de 09 de Outubro de 2005, na Maia, levaram 268,4 mil dos 634,6 mil euros que ali eram transportados.

Começaram por bloquear a saída carrinha, no nó do IC24 para a EN14, metralharam-na sucessivamente até quebrarem a blindagem, obrigando os tripulantes a sair e abrir-lhe as portas traseiras, onde se acondicionavam vários sacos com dinheiro.

Rebentar montras de bancos e levar as máquinas Multibanco, ou dar a escolher a automobilistas entre a entrega dos seus carros ou levarem um tiro, são outras práticas criminosas atribuídas ao gangue.

Entre os roubos de máquinas Multibanco, sobressai, pelo valor envolvido (24,9 mil euros), o concretizado na Estela, Póvoa de Varzim, pelas 04:24 de 31 de Março de 2005.

Para roubarem a máquina Multibanco, que se encontrava na loja de conveniência de um posto de abastecimento de combustíveis, rebentaram a porta do estabelecimento à marretada.

A máquina foi levada numa carrinha que tinham roubado na madrugada da véspera, pelo método de carjaking (roubo de carros por intimidação dos condutores), a um distribuidor de jornais que se dirigia à loja de conveniência de um posto de combustíveis de Moreira da Maia.

O lesado implorou que não lhe levassem a carrinha - que viria a ser recuperada em 29 de Abril seguinte - mas com isso só conseguiu enfurecer os assaltantes, que o agrediram à coronhada.

A estreia deste grupo criminoso terá ocorrido em Valadares, Gaia, a 02 de Julho de 2004, altura recorreram ao carjaking para roubar um automóvel BMW.

Os assaltantes deixaram a condutora encurralada na garagem onde pretendia aparcar a viatura.

Os membros do grupo, a maioria em prisão preventiva e um deles a cumprir pena efectiva, distribuíam-se em subgrupos e cada um tinha funções "perfeitamente definidas e delimitadas", refere o MP.

Os veículos furtados ou roubados por carjaking eram usados noutros crimes ou falsificavam-lhe os elementos identificadores para os poderem introduzir no circuito comercial, precisa a acusação.

Num "recuo" (garagem) que tinham alugado em Oliveira do Douro, Gaia, os arguidos escondiam os automóveis roubados, armas de fogo, gorros, ferramentas e outros objectos necessários.

Oito dos 12 arguidos foram detidos em 26 e 27 de Janeiro do ano passado, numa operação da Polícia Judiciária (PJ) do Porto que se saldou também pela apreensão de 17 veículos, dez mil euros em dinheiro, armas de fogo e, entre outro material, picaretas, machados e marretas.

A vasta lista de material apreendido aos oito suspeitos incluía uma shot-gun (que dispara oito tiros quase em rajada), uma espingarda Kalashnikov, três pistolas de calibre nove milímetros e duas de calibre 6,35.

Uma granada de fumo e outra ofensiva, munições de diversos calibre, uma soqueira, dois machados, uma marreta, um pé-de-cabra, chaves de fendas e coletes antibala integravam também o material apreendido.

Além das viaturas apreendidas - todas de alta cilindrada - a PJ confiscou uma moto de água, relógios, telemóveis, capuzes e cerca de 10 mil euros, em notas e moedas.

"Estamos convencidos de que foi um rude golpe na actividade criminosa que assola a região", disse então o director da PJ/Porto, Vítor Guimarães.

Além da data de arranque do julgamento, o Tribunal de São Novo, marcou já sessões para 07, 18 e 28 de Fevereiro, 03, 06, 13, 31 e 27 de Março, 03, 14, 17, 24, 28 de Abril e 08, 12, 15 e 29 de Maio.

Nove pessoas e entidades formularam pedidos de indemnização cível.

JGJ.


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