Garcia Pereira diz que Mário Soares não terá o seu voto numa 2ª volta
O candidato às eleições presidenciais António Garcia Pereira afirmou numa entrevista publicada hoje no Jornal de Notícias que o candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, não terá o seu voto numa eventual segunda volta.
"A haver uma segunda volta, tem de ser com o candidato mais votado. Se for Soares, com base no argumento `Votem em mim para o Cavaco não ser eleito`, não terá o meu voto, nem terá a minha recomendação de voto", disse o dirigente do PCTP/MRPP.
Em entrevista ao Jornal de Notícias, Garcia Pereira disse acreditar que Cavaco Silva vai vencer à primeira volta e frisou que "a grande responsabilidade é desde logo da candidatura de Mário Soares".
Ao JN, Garcia Pereira considerou que "Mário Soares é um dos dois rostos dos responsáveis pela gravíssima crise em que o país se encontra".
Questionado sobre se o PS fez uma má escolha com Mário Soares, o dirigente afirmou que "procurou que fosse viabilizada a candidatura de Diogo Freitas do Amaral (que considera um "cidadão democrata, patriota, firme na defesa dos princípios da liberdade") e o PS decidiu matá-la, quando falou nas de Mário Soares ou Manuel Alegre".
"Ainda por cima, no caso de Mário Soares, assistimos ao triste espectáculo: precisamente os dois rostos responsáveis pela crise terem o arrojo de se apresentar perante o povo português impondo-se como as únicas alternativas possíveis".
Questionado sobre se há perigo para a democracia se Cavaco Silva for eleito, Garcia Pereira considera que "vai haver uma ditadura democrática ou uma democracia ditatorial".
"Com Cavaco, não se pode dizer que não vamos ter uma ditadura. Vamos ter o que hoje já temos: uma ditadura democrática ou uma democracia ditatorial, musculada, e que já conhecemos quando esteve no Governo", afirmou.
Na entrevista, Garcia Pereira demarca-se dos outros candidatos que "usam a receita de sempre" e fogem a responder às questões que interessam aos portugueses.
O candidato presidencial - que não foi convidado para participar nos debates frente-a-frente já realizados na RTP, SIC e TVI - disse que já fez "mais de 300 diligências para que haja um debate na televisão a seis" e que até agora só recebeu respostas indirectas que "revelam falta de civismo".
"Porque a igualdade de tratamento e de oportunidades das diferentes candidaturas é um princípio constitucional, mas também há um problema de cidadania, porque, não obstante a CNE ter deliberado, a 28 ou 29 de Dezembro, que a Comunicação Social teria de proporcionar igual tratamento aos candidatos, sob pena de haver sanções e ninguém fez caso dessa deliberação", frisou.
António Garcia Pereira disse ainda que as suas expectativas para as eleições são as de manter a votação que obteve em 2001 - 1,59 por cento dos votos - ou subir um pouco, "se puder expor as ideias".
O dirigente revelou ainda que a sua candidatura está a ser financiada com fundos próprios e recolhidos entre apoiantes, com um orçamento de 20 mil euros, um valor que considera "um recorde absoluto comparado com os orçamentos astronómicos das outras candidaturas".
Garcia Pereira disse também que a sua campanha eleitoral será feita no "contacto com as populações que estejam com problemas graves".