País
General Pinto Ramalho compreende que militares saiam à rua
A manifestação de militares marcada para o próximo dia 12 não causa qualquer incómodo no seio da cúpula do Exército, ao contrário do que aconteceu no passado. Pinto Ramalho, chefe do Estado-Maior do Exército, já disse que compreende que entre os militares haja as mesmas preocupações e descontentamento que existem em toda a sociedade. Um sinal de confiança relativamente ao comportamento dos homens de armas havia já sido dado pelo próprio ministro da Defesa, há semana e meia, quando ficou conhecida a marcação do protesto.
A 23 de outubro, os militares reuniram-se num encontro nas instalações do ISCTE, em Lisboa, para decidirem sair à rua no próximo 12 de novembro, com uma concentração no Rossio seguida de um desfile até ao Terreiro do Paço, frente ao Ministério das Finanças. Na base da manifestação dos militares está o descontentamento relativamente à "redução das remunerações, aliada aos cortes dos subsídios de férias e de Natal e ao aumento generalizado dos impostos", que "atira muitos" militares para "o limiar da impossibilidade de cumprir com os compromissos financeiros assumidos".
As três associações de praças, oficiais e sargentos que representam os militares repudiaram o que consideram de "violento ataque às condições de vida dos portugueses e por consequência dos militares e suas famílias".
Já hoje, instado a comentar a manifestação dos homens sob a sua hierarquia, o chefe do Estado-Maior do Exército Pinto Ramalho escusou-se a manifestar a sua opinião acerca do protesto em si, mas admitindo que, sem notar um "ambiente crispado no seio do Exército", sente entre os militares as preocupações e o descontentamento que perpassam por outros setores da sociedade portuguesa. Apontando o congelamento das promoções, o general Pinto Ramalho fez notar que esse é um aspeto que "tem a ver com o normal desenvolvimento de carreira. A promoção é uma peça do desenvolvimento normal de carreira. Quando esse desenvolvimento normal não se faz, as pessoas também se interrogam e têm a sua expetativa"
"Com certeza que sinto no Exército aquilo que as pessoas sentem no país. Têm mais dificuldades, têm mais problemas. Isso sente-se. Faço aliás um comando de proximidade e é muito fácil para mim aperceber-me de qual é o sentimento dos quadros e das tropas”, afirmou Pinto Ramalho à margem de uma audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, para sublinhar que “é um sentimento que deve ser acompanhado e não foge ao sentimento geral da população: preocupação em relação ao futuro, preocupação em relação às contenções e às restrições [orçamentais]. Mas isso é o que se passa em casa de cada um dos portugueses".
Militares saberão estar dentro dos limites da lei
No que respeita ao comportamento dos manifestantes no próximo dia 12, o CEME mostrou-se convicto de que não tem qualquer razão para estar preocupado e dando garantias "do normal funcionamento da cadeia de comando: aí o Exército funciona de forma coesa e disciplinada".
"A manifestação tem regras, os militares fazem um uso do direito consignado na lei e certamente cumprirão os limites dessa lei. Sobre isso não tenho nada mais a referir", declarou.
Este havia já sido o sentimento manifestado pelo ministro da Defesa, há semana e meia, aquando a deslocação a Bragança, para presidir às comemorações do Dia do Exército.
“Absolutamente tranquilo”
“Tenho a certeza absoluta de que saberão, como sempre souberam, estar à altura dos desafios que neste momento o país atravessa. Eu costumo dizer que as Forças Armadas não falham. Não irão falhar também hoje quando se exige a todos nós um elevado sentido de patriotismo, de coesão e de unidade”, declarou Aguiar-Branco, para acrescentar que está “absolutamente tranquilo” quanto ao comportamento futuro dos militares, que, conjeturou, “saberão dar o exemplo daquilo que hoje se exige a todos nós, que é salvar Portugal”.
Afirmava o ministro que tutela as Forças Armadas que desde que “se faça no respeito da Constituição” qualquer movimento de contestação é um direito “legítimo em democracia”.
Aguiar-Branco reagia nesse domingo de 23 de outubro à decisão dos militares de levar para rua o seu descontentamento para com as medidas preconizadas no Orçamento do Estado para 2012: “O protesto, em qualquer democracia, é legítimo. Só nas ditaduras é que há silenciamento. Em democracia, o direito à crítica, o direito à manifestação, a ter uma opinião contrária, é a essência da democracia, desde que se faça no respeito da lei e da Constituição, como eu estou confiante que vai acontecer”.
As três associações de praças, oficiais e sargentos que representam os militares repudiaram o que consideram de "violento ataque às condições de vida dos portugueses e por consequência dos militares e suas famílias".
Já hoje, instado a comentar a manifestação dos homens sob a sua hierarquia, o chefe do Estado-Maior do Exército Pinto Ramalho escusou-se a manifestar a sua opinião acerca do protesto em si, mas admitindo que, sem notar um "ambiente crispado no seio do Exército", sente entre os militares as preocupações e o descontentamento que perpassam por outros setores da sociedade portuguesa. Apontando o congelamento das promoções, o general Pinto Ramalho fez notar que esse é um aspeto que "tem a ver com o normal desenvolvimento de carreira. A promoção é uma peça do desenvolvimento normal de carreira. Quando esse desenvolvimento normal não se faz, as pessoas também se interrogam e têm a sua expetativa"
"Com certeza que sinto no Exército aquilo que as pessoas sentem no país. Têm mais dificuldades, têm mais problemas. Isso sente-se. Faço aliás um comando de proximidade e é muito fácil para mim aperceber-me de qual é o sentimento dos quadros e das tropas”, afirmou Pinto Ramalho à margem de uma audição na comissão parlamentar de Defesa Nacional, para sublinhar que “é um sentimento que deve ser acompanhado e não foge ao sentimento geral da população: preocupação em relação ao futuro, preocupação em relação às contenções e às restrições [orçamentais]. Mas isso é o que se passa em casa de cada um dos portugueses".
Militares saberão estar dentro dos limites da lei
No que respeita ao comportamento dos manifestantes no próximo dia 12, o CEME mostrou-se convicto de que não tem qualquer razão para estar preocupado e dando garantias "do normal funcionamento da cadeia de comando: aí o Exército funciona de forma coesa e disciplinada".
"A manifestação tem regras, os militares fazem um uso do direito consignado na lei e certamente cumprirão os limites dessa lei. Sobre isso não tenho nada mais a referir", declarou.
Este havia já sido o sentimento manifestado pelo ministro da Defesa, há semana e meia, aquando a deslocação a Bragança, para presidir às comemorações do Dia do Exército.
“Absolutamente tranquilo”
“Tenho a certeza absoluta de que saberão, como sempre souberam, estar à altura dos desafios que neste momento o país atravessa. Eu costumo dizer que as Forças Armadas não falham. Não irão falhar também hoje quando se exige a todos nós um elevado sentido de patriotismo, de coesão e de unidade”, declarou Aguiar-Branco, para acrescentar que está “absolutamente tranquilo” quanto ao comportamento futuro dos militares, que, conjeturou, “saberão dar o exemplo daquilo que hoje se exige a todos nós, que é salvar Portugal”.
Afirmava o ministro que tutela as Forças Armadas que desde que “se faça no respeito da Constituição” qualquer movimento de contestação é um direito “legítimo em democracia”.
Aguiar-Branco reagia nesse domingo de 23 de outubro à decisão dos militares de levar para rua o seu descontentamento para com as medidas preconizadas no Orçamento do Estado para 2012: “O protesto, em qualquer democracia, é legítimo. Só nas ditaduras é que há silenciamento. Em democracia, o direito à crítica, o direito à manifestação, a ter uma opinião contrária, é a essência da democracia, desde que se faça no respeito da lei e da Constituição, como eu estou confiante que vai acontecer”.