Gentil Martins condena médicos que fizerem abortos a pedido da mulher

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O cirurgião pediátrico Gentil Martins afirmou hoje que, se o "sim" ganhar, condenará os médicos que realizarem abortos nas condições previstas na pergunta do referendo de domingo, considerando-os apenas "licenciados em Medicina".

"Condeno com certeza. Para mim são licenciados em Medicina, não são médicos", afirmou Gentil Martins, num jantar-tertúlia organizado em Lisboa pela Plataforma "Não, Obrigada", que juntou um grupo de dezenas de médicos contra a despenalização do aborto.

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?", é a pergunta que vai ser colocada aos eleitores a 11 de Fevereiro, igual à do referendo de 1998.

"Nós temos uma ética profissional que tem 2.500 anos. Todos jurámos o juramento de Hipócrates que diz que o médico tem de defender a vida", afirmou Gentil Martins, admitindo como única excepção para a realização de um aborto terapêutico o risco de vida da mãe.

"Se há médicos que não cumprem a sua ética profissional, só posso lamen tar mas não punir se a lei o permitir", frisou, contudo.

Também Fernando Maymone, cardiologista pediátrico e promotor do movimen to "Somos médicos, por isso não" (que não faz parte dos movimentos cívicos forma lmente constituídos para o referendo), considerou que haverá muitos médicos obje ctores de consciência se o "sim" ganhar.

"Haverá um número muito substancial de objectores de consciência. Muito s já disseram que serão objectores selectivos - realizarão abortos à luz apenas da lei actual", afirmou, considerando que a despenalização do aborto introduz "u m elemento contrário a vida" no acto médico.

Na mesma linha, o médico e especialista em ética da vida Daniel Serrão defendeu que "um médico não pode prescrever um abortamento a uma mulher".

"O médico está preparado para atender pessoas doentes, uma gravidez nor mal não pode ser considerada uma doença", justificou Daniel Serrão.

O médico insurgiu-se ainda contra a possibilidade, prevista na pergunta , de o aborto poder ser realizado no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"Enquanto os hospitais públicos não tiverem as condições necessárias pa ra fazerem Procriação Medicamente Assistida a todos os casais que lutam desesper adamente por ter um filho, nenhum hospital público deverá praticar abortos", def endeu.

Ao contrário de Gentil Martins, que defendeu que "deve haver pena nalgu ns casos" para a mulher que aborta, Daniel Serrão considerou que a mulher deve s er vista como uma vítima e não como uma criminosa.

"Eu não acho bem que ela o faça mas acho mal que seja punida", disse.

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