Geógrafo defende poder supramunicipal eleito para seis concelhos do Grande Porto

O geógrafo e professor catedrático Rio Fernandes defendeu hoje, no Porto, uma estrutura de poder intermédia para os seis concelhos do anel central do Porto, em alternativa à fusão dos concelhos do Porto e Gaia.

Agência LUSA /

Em declarações à agência Lusa, o geógrafo, professor da Faculdade de Letras do Porto, disse que a estrutura deveria congregar, além do Porto, os concelhos de Gaia, Gondomar, Maia, Matosinhos e Valongo, sendo "obrigatoriamente" legitimada pelo voto popular directo.

Estes seis concelhos são habitados, no conjunto, por um milhão de habitantes, o dobro da população do Porto e Gaia.

A posição do geógrafo e docente universitário surge um dia depois de o ex-secretário de Estado da Justiça, Paulo Rangel, relator do Programa Eleitoral de Rui Rio, ter defendido a fusão dos concelhos do Porto e Gaia como única solução para a afirmação estratégica da segunda cidade do país.

Falando quinta-feira à noite no quarto encontro do ciclo de conferências "Olhares Cruzados sobre o Porto", Paulo Rangel manifestou- se disponível para se dedicar "inteiramente ao lançamento de um movimento cívico para a união dos concelhos do Porto e Gaia", que culmine na criação de uma grande cidade em "2010 ou 2012".

Porém, Rio Fernandes defende que esta ideia, que já fora lançada em 2003 por Luís Filipe Menezes, significava "comprar uma guerra sem necessidade", mexendo numa organização municipal enraizada e "com a dimensão adequada".

O professor catedrático contestou também a lógica de uma fusão municipal limitada a Porto e Gaia, tendo em conta o quadro urbano do Grande Porto.

"O que justifica que se unam apenas esses dois municípios? E Matosinhos? E a Maia? E os outros", questionou, ao preconizar uma alternativa constituída por uma estrutura de nível intermédio para os seis concelhos centrais do Grande Porto.

Desde que tivesse competências "bem delimitadas" e recursos financeiros e humanos "mínimos", a estrutura intermédia funcionaria como "um mecanismo de articulação legítimo e eficaz" das políticas municipais, frisou Rio Fernandes.


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