GNR de Arcos de Valdevez abre processo de averiguações a ambulância retida pela BT
A GNR abriu hoje um processo de averiguações à actuação da Brigada de Trânsito, ao reter na estrada, durante "algum tempo", uma ambulância onde seguia um homem com suspeita de enfarte, que acabou por morrer no hospital.
O responsável pelas Relações Públicas da GNR, tenente-coronel Costa Cabral, disse à Lusa que "a Guarda vai fazer averiguações para esclarecer a situação e apurar responsabilidades".
No entanto, Costa Cabral ressalvou que "à partida, e segundo as primeiras informações", a actuação da BT terá sido "normal" e que a ambulância "não terá ficado mais de cinco minutos" retida na estrada.
"É bom frisar que não se tratava de uma ambulância normal, mas sim uma ambulância privada, que normalmente não faz urgências, pelo que é normal que a BT a tenha mandado parar", acrescentou Costa Cabral.
O responsável frisou, no entanto, que se tratam apenas de informações preliminares e que toda a situação vai ser devidamente esclarecida e averiguada, após ouvir os vários intervenientes.
"Se se constatar que não houve qualquer anomalia na actuação da BT, o caso será arquivado. Se tiver havido infracção disciplinar, será aberto um processo disciplinar. Se houver matéria crime, o caso será remetido para os tribunais", concluiu.
Cesário Gomes, cunhado da vítima, denunciou hoje que a ambulância esteve parada na estrada "perto de 20 minutos" à ordem da BT e garantiu que a família vai avançar para tribunal para apurar responsabilidades.
"A actuação da BT é simplesmente incrível e revoltante e a família não vai ficar parada nem vai descansar enquanto não forem apuradas todas as responsabilidades", disse.
Segundo Cesário Gomes, o cunhado, de 54 anos, morador em Cabreiro, Arcos de Valdevez, sentiu uma "forte" dor no peito na quinta-feira e foi transportado pela esposa ao Centro de Saúde daquele concelho.
Face ao seu estado, foi chamada uma ambulância para o transferir para o hospital de Ponte de Lima, numa viagem que, em condições normais, "nunca demorará mais de 15 minutos".
"O problema é que, em plena A-28, a Brigada de Trânsito da GNR mandou parar a ambulância, alegadamente por circular com as luzes de emergência ligadas. Pediram documentos, fizeram o teste de alcoolémia por duas vezes ao condutor e perderam-se em formalidades, retendo ali a ambulância cerca de 20 minutos", criticou.
"O meu cunhado morreu poucos minutos após entrar no hospital. Não sei se foi ou não por causa da demora. O que sei é que esta é uma situação revoltante e impensável", acrescentou.
Contactada pela Lusa, fonte da empresa "Ambulâncias arcuenses", que assegurava o transporte da vítima, garantiu à Lusa que o motorista alertou a BT para o facto de na viatura seguirem dois "doentes urgentes".
Apesar disso, a ambulância ficou ali retida "algum tempo", para "cumprimento de formalidades de trânsito", nomeadamente dois testes de alcoolémia, após o que a BT terá então dado ordem para a viatura seguir para o hospital.
Acrescentou que as horas registadas da saída da ambulância de Arcos de Valdevez e sua entrada em Ponte de Lima são, respectivamente, 16:00 e 16:50, mas ressalvou que isto não quer dizer que este tenha sido o tempo que demorou a viagem, uma vez que "pelo meio há várias formalidades a cumprir".
Fonte do hospital de Ponte de Lima disse à Lusa que o doente deu ali entrada referenciado pelo Centro de Saúde de Arcos de Valdevez "com suspeita de enfarte" e que acabou por morrer após várias tentativas de reanimação, tendo "administrativamente" o óbito sido registado às 18:28.
"Isto não quer dizer que tenha sido esta a hora da morte. Trata-se apenas da hora em que os serviços administrativos o registaram", frisou a fonte.
Entretanto, fonte do Ministério da Administração Interna disse à lusa que o MAI "aguarda a conclusão do processo de averiguações em curso".