GNR participou em 13 missões nos 19 anos da força policial militarizada da Europa
A GNR participou com 153 militares em 13 missões internacionais de gestão de crises nos 19 anos de existência da Força de Gendarmerie Europeia, uma força policial europeia composta exclusivamente por forças de segurança de natureza militar.
A Força de Gendarmerie Europeia (EUROGENDFOR) completa hoje 19 anos e divulga pela primeira vez um balanço das missões internacionais de gestão de crises realizadas na Europa, África, Ásia e América.
Dados enviados à agência Lusa, quando se assinala o dia da EUROGENDFOR, indicam que, em 19 anos, 3.074 militares participaram em 25 missões internacionais de gestão de crises, nove das quais estão em curso, nomeadamente na Bósnia Herzegovina, Somália, Ucrânia e passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito.
Criada para atuar em operações de gestão de crises e manutenção da ordem pública em zonas de conflito ou pós-conflito, esta força europeia de polícia multinacional com estatuto militar é composta por oito países membros, um país parceiro e quatro países observadores.
No caso de Portugal, a Guarda Nacional Republicana faz parte desta força desde 2007 e no total participou em 13 missões internacionais com 153 militares, destacando-se as missões no Kosovo, Ucrânia e Moçambique.
Atualmente os militares da GNR estão em cinco missões no Kosovo, Ucrânia, República Centro Africana, Moçambique e na passagem fronteiriça de Rafah, entre a Faixa de Gaza e o Egito.
O porta-voz da EUROGENDFOR, o português João Lourenço, disse à Lusa que Portugal "é um dos países que mais se destaca em número de missões", embora não seja o país com o maior número de militares envolvidos.
Em comunicado, a EUROGENDFOR, que se constitui como uma força policial operacional, pré-organizada, robusta e de rápida projeção, destaca a sua capacidade "para desempenhar todo o espetro de funções policiais no âmbito de operações de gestão de crises, sob comando civil ou militar".
João Lourenço enumerou as várias capacidades desta força, desde missões de manutenção e restabelecimento da ordem pública, proteção de pessoas e bens, controlo de fronteiras, investigação criminal e formação de forças policiais locais.
Destacou a missão que a GNR desenvolve com a Ucrânia no âmbito do apoio psicológico e formação de psicólogos, em que especialistas de saúde da GNR se deslocaram àquele país para formar psicólogos ucranianos e partilhar técnicas de intervenção em stress pós-traumático e fadiga operacional.
João Lourença sublinha que esta capacidade de atuar sob comando civil ou militar assume "particular relevância em cenários de crise nos quais as condições de segurança dificultam a intervenção das forças policiais civis, mas em que as necessidades operacionais exigem uma resposta de natureza policial, e não exclusivamente militar".
De acordo com esta força, esta versatilidade torna a EUROGENDFOR "um instrumento cada vez mais relevante na resposta aos novos desafios de segurança europeus, incluindo as ameaças híbridas, que esbatem as fronteiras tradicionais entre situações de paz e de conflito".
A EUROGENDFOR pode ser colocada à disposição da União Europeia, das Nações Unidas, da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da NATO, de outras organizações internacionais ou de coligações constituídas para fins específicos.
A EUROGENDFOR, que tem como países membros França, Itália, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Portugal, Roménia e Espanha, é comandada a partir do seu quartel-general permanente, localizado em Vicenza, Itália.