Governo acusa Câmara de Almada de atrasar projecto do Metro Sul do Tejo

O secretário de Estado dos Transportes, acusou hoje, em declarações à Lusa, a Câmara Municipal de Almada de ser a maior responsável pelo atraso do Metro Sul do Tejo, que deveria entrar em funcionamento em Outubro de 2005.

Agência LUSA /

"Se não fosse o conjunto de opções condicionantes imposto pela autarquia [Almada], estou convencido que teríamos metro no sul do Tejo na data prevista", afirmou Jorge Borrego.

O governante admitiu que "o concessionário [Metro Transportes Sul (MST)] também está a ter dificuldades. Mas o tempo que demorar a concluir depende sobretudo da postura dos intervenientes e sobretudo da Câmara".

"Uma dificuldade reside no troço de Cacilhas porque o Município de Almada não disponibilizou os terrenos para o avanço da obra", explicou Jorge Borrego, para quem "este facto, por si só, deverá comprometer o arranque do sistema na data prevista, que era Outubro de 2005".

"Se os terrenos fossem entregues amanhã, e nada obsta tecnicamente que tal aconteça, talvez fosse possível acabar o projecto em pouco mais de um ano", afirmou.

Mas existem outras questões que têm, por exemplo, a ver com exigências da Câmara de Almada no tocante a parques de estacionamento e o sistema de semáforos, adiantou o secretário de Estado.

Jorge Borrego explicou que já o anterior Governo tinha tentado chegar a um acordo com a autarquia, tendo-lhe apresentado um protocolo no final do mandato, mas esta "não o aceitou à data, adicionando novas exigências que não poderiam ser aceites".

"Quando este Governo iniciou funções chegou à conclusão que, para ir ao encontro das pretensões das partes [concessionário privado e da Câmara], ter-se-ia de proceder a alterações no contrato e eventualmente aumentar o esforço financeiro público", adiantou.

Segundo os cálculos do secretário de Estado, "responder a todas as solicitações representaria mais de 20 por cento do investimento previsto do Estado".

A acrescer a estas dificuldades, por se tratar de uma parceria público-privada, quaisquer alterações ao contrato têm de ser aprovadas por uma comissão de acompanhamento com membros nomeados pelos Ministérios das Obras Públicas, Transportes e Comunicações e das Finanças.

Esta comissão foi nomeada por despacho conjunto dos ministérios em 9 de Dezembro (aguardando publicação em Diário da República) e está agora a iniciar os trabalhos, explicou.

Quanto aos protestos da população em relação à solução encontrada para a intercepção dos três "troncos" do sistema, o chamado triângulo da Ramalha, o secretário de Estado adiantou que "os técnicos estão a trabalhar" numa alternativa que "não ponha em causa o projecto", nem em termos financeiros nem de satisfação das populações.

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