Governo apela a maior coaboração da população contra praga mosquitos na Madeira
A directora regional de Saúde Pública da Madeira apelou hoje a uma maior colaboração da população madeirense no programa desencadeado para controlar a praga de mosquitos de origem tropical que surgiu na freguesia de Santa Luzia, Funchal.
A responsável, Isabel Lencastre, defendeu que as pessoas devem colaborar tanto no acatar das recomendações como no facultar de informações aos serviços que permitam uma intervenção mais eficaz nos focos detectados.
Segundo Isabel Lencastre, a actividade desta espécie de insecto, transmissora da doença de dengue e febre amarela, tem vindo a diminuir.
As acções de controlo e desinfestação estão no terreno há cerca de quatro semanas, tendo sido visitadas 160 casas na denominada "zona vermelha" (entre as ruas de Santa Luzia e do Comboio) e vão ser repetidas a partir da próxima sexta-feira, anunciou Sales Caldeira, o responsável pela empresa envolvida neste programa.
"Estamos a aplicar tudo o que há de melhor e é possível sem ferir a natureza. Mas sem a colaboração da população não é possível atingir o sucesso total do programa, o que é essencial numa região turística como a Madeira", sustentou.
Apelou para que as pessoas facultem informações aos serviços através do número 800021821 e aos proprietários de casas abandonadas para que facilitem a entrada dos técnicos para as acções de desinfestação.
Por seu turno, Costa Neves, vereador responsável pelo pelouro do ambiente da câmara municipal do Funchal, fez um balanço "positivo" do trabalho desenvolvido no último mês no controlo da praga.
Adiantou que, da colocação das 34 armadilhas para detectar a dispersão do mosquito no exterior das residências, em três casos foram encontrados ovos de mosquitos dentro da "zona vermelha", dois fora desta área e outros nas freguesias de S.Martinho e S.Gonçalo (Funchal).
Os dados recolhidos apontam no sentido de que "esta espécie tem desenvolvido fraca actividade, talvez devido ao clima, com temperaturas abaixo dos 20 graus", acrescentou.
Isabel Lencastre voltou a insistir para que a população de toda a região acate as recomendações, designadamente eliminando todos os locais ou recepientes de qualquer tipo onde o mosquito-fêmea possa depositar os ovos, nomeadamente pratos de flores, jarras, pneus, depósitos de água ou cisterna, lajes de prédios, onde possa existir águas paradas.
Salientou que este é um tipo de mosquito "urbano", está no interior das habitações, a fêmea precisa de sangue para desenvolver os ovos e tem preferência pelo humano, adapta-se aos eco-sistemas, "pelo que há que ser cautelosos, conhecer a sua biologia e hábitos".
Concluiu apontando que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde este mosquito "está a tornar-se numa ameaça a nível mundial e, sendo um problema de todos, a solução para o problema passa por cada um".