Governo, autarquia e cidadãos defendem "casamento" entre carro e peão

Governo, Câmara de Lisboa e cidadãos juntaram-se hoje, Dia Nacional de Cortesia ao Volante, para apelar a uma convivência saudável entre peão e veículo, de forma a diminuir a sinistralidade rodoviária.

Agência LUSA /

Para assinalar simbolicamente a data, a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), organização subscritora da Estrada Viva - Liga contra o Trauma, realizou um percurso num autocarro da Carris por várias ruas de Lisboa para mostrar como é possível "conduzir de forma cortês" e para testemunhar casos de falta de civismo dos condutores.

A ACA-M apresentou ainda os 15 Mandamentos da Cortesia ao Volante, o primeiro dos quais é: "não utilizarás o veículo como instrumento de ameaça ou agressão".

"Utilizar o carro como arma de agressão é o ponto de partida do problema", afirmou o presidente da associação, Manuel João Ramos, adiantando que os condutores muitas vezes não têm consciência de que circular a alta velocidade pode matar peões "seja na Avenida de Ceuta ou em qualquer outro ambiente".

"Se conduzires, não consumirás bebidas alcoólicas ou produtos que alterem o teu estado normal de consciência; darás sempre prioridade aos peões, mesmo fora das passadeiras; zelarás pelo transporte seguro dos ocupantes do teu veículo; aceitarás o ritmo de condução dos outros condutores e respeitarás os limites de velocidade legais", são outros mandamentos que as associações pretendem ver respeitadas pelos automobilistas.

Presente na iniciativa, o secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões, afirmou que os 15 mandamentos deviam ser incorporados na acção diária dos condutores.

Os mandamentos vão no sentido de "não estacionar em segunda fila, não conduzir com telemóvel e dar primazia ao peão", salientou Ascenso Simões, lembrando que são regras que estão no Código da Estrada e que, "numa relação normal de sociedade, deveriam ser cumpridas todos os dias".

"É para essa relação normal de vivência dentro da cidade, de uma convivência entre peão, veículo e infra-estrutura que nós estamos a apelar, sublinhou, considerando que actualmente o que define esta relação é o "divórcio".

Durante o percurso de autocarro, o secretário de Estado disse que viu alguns maus exemplos de civismo, como carros estacionados em cima do passeio, uma circunstância que se verifica por toda a cidade de Lisboa, mas que representa na Avenida Almirante Reis "um caso de anormalidade no contexto da cidade".

A secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, também aderiu à iniciativa, que considera "muito importante", porque visa "o envolvimento da sociedade em duas questões que são de extrema importância para todos".

A primeira questão é "a utilização mais segura do espaço público e a diminuição do número de acidentes" e a segunda é a "transferência do transporte individual para o transporte público", no sentido de "retirar carros da cidade".

Esta opinião é partilhada pela vereadora com o pelouro da Mobilidade na Câmara de Lisboa, Marina Ferreira, que considera o desenvolvimento de uma rede eficaz de transportes públicos "um desafio permanente".

"As cidades são dinâmicas e as redes têm de que estar permanentemente actualizadas e adequadas às necessidades de deslocação das pessoas", salientou a autarca.

Para uma melhor mobilidade na cidade e reduzir o número de acidente, Marina Ferreira anunciou que está em fase de preparação o lançamento de um concurso para a revisão de toda a sinalética da cidade, que passa numa primeira fase pela identificação de todo o tipo de obstáculos que existem no passeio.

Entre os vários obstáculos na cidade, Marina Ferreira destacou as obras e as cargas e descargas, que considera uma dos maiores problemas na gestão de tráfego.

O Dia Nacional de Cortesia ao Volante foi criado pelo então presidente da República Jorge Sampaio durante uma presidência temática sobre segurança rodoviária, que decorreu em Maio do ano passado, no seguimento de uma proposta da organização Estrada Viva.

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