Governo falha alargamento do passe ferroviário verde durante Semana Europeia da Mobilidade

Governo falha alargamento do passe ferroviário verde durante Semana Europeia da Mobilidade

Ao contrário do que anunciou o Governo, o passe ferroviário verde não ficou pronto para os comboios urbanos da CP de Lisboa e do Porto durante a Semana Europeia da Mobilidade. No caso da Fertagus, vai levar mais tempo. Os Transportes Metropolitanos do Porto não acreditam que o passe Andante terá grande impacto por causa da medida, enquanto os Transportes Metropolitanos de Lisboa esperam para ver os efeitos no passe Navegante.

Gonçalo Costa Martins - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: João Marques - RTP

(em atualização)

Seguindo o curso de muitos outros decretos-lei, o alargamento do passe ferroviário verde foi aprovado no Conselho de Ministros da semana passada e espera agora luz verde do Palácio de Belém.

“A operacionalização do alargamento do Passe Ferroviário Verde aos comboios urbanos de Lisboa e do Porto está a ser trabalhada pela CP e pela Fertagus, sendo que a alteração ao Decreto-Lei que permite esse alargamento do Passe Ferroviário Verde aos serviços urbanos foi aprovada no Conselho de Ministros da semana passada, aguardando promulgação”, esclarece o Ministério das Infraestruturas e da Habitação (MIH) esta quarta-feira à RTP Antena 1.

É este o ponto de situação de uma medida que já estaria em vigor neste dia 22 de setembro, data em que termina a Semana Europeia da Mobilidade. Foi o próprio Ministério que há cerca de um mês - no dia 21 de agosto - apontou estes dias simbólicos para que o passe fosse alargado aos comboios urbanos da CP de Lisboa e do Porto.

“O alargamento do Passe Ferroviário Verde (PFV) aos serviços urbanos da CP de Lisboa e do Porto entra em funcionamento na terceira semana do próximo mês, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, de 16 a 22 de setembro, e irá ser alargada à Linha da Fertagus", apontava o MIH em comunicado. Em declarações ao jornal Público, em Berlim, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou esta quarta-feira que a expansão deste passe aconteceria em outubro.

Cai assim por terra o objetivo inicial do primeiro-ministro, Luís Montenegro, estabelecido como uma das bandeiras da Festa do Pontal deste ano: apontava para “em princípio” ter o alargamento do passe ferroviário verde em vigor em setembro. Na semana passada, o ministério já assumia RTP Antena 1 que não havia data para entrar em vigor.

Mas ainda corre alguma incerteza quanto à Fertagus. Fonte oficial do ministério afirma apenas à rádio pública que a integração da transportadora privada que faz as viagens de comboio entre Lisboa e Setúbal vai acontecer mais tarde. As razões não são esclarecidas, mas é certo que haverá questões de bilhética e de sistemas para acertar entre a CP e a Fertagus na altura de começar a medida.

A RTP Antena 1 pediu uma entrevista nesta quarta-feira à secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, por estar presente no arranque de um evento da Bolt, em Lisboa, em que a rádio também estaria mais tarde. A entrevista foi recusada por motivos de agenda, mas, em declarações ao jornal Eco, Cristina Pinto Dias explicou que a integração da Fertagus aconteceria “até ao final do ano”. Isto apesar de Miguel Pinto Luz ter mostrado, ao Público, confiança que aconteça já em outubro.

As duas operadoras estão a informar os clientes que o alargamento ainda não está pronto. A RTP Antena 1 teve acesso a duas mensagens, uma da CP e outra da Fertagus, em que ambas garantem que não só a medida não está pronta, como também que informarão quando isso acontecer. No caso da Fertagus, é dito que a utilização do passe ferroviário verde nesta transportadora ainda está a ser articulada e definida com o Estado.
Andante desvaloriza impactos, Navegante aguarda
O passe ferroviário verde já é válido nos comboios regionais e Intercidades - a exceção é e continuará a ser o Alfa Pendular - e a chegada aos urbanos de Lisboa e do Porto vai permitir que os passageiros que apenas se desloquem no modo ferroviário possam poupar. Em vez de utilizarem os passes das áreas metropolitanas, com custos até 40 euros, podem usar o passe ferroviário que custa 20 euros.

No entanto, há um possível senão: poderá esta mudança de passe ser um desincentivo à utilização dos passes das áreas metropolitanas, e assim desincentivar o uso de outros transportes públicos fora das viagens em que os passageiros só usam o comboio?

À margem de um evento que a Bolt dedicou à mobilidade, em Lisboa, a administradora-executiva da TML - Transportes Metropolitanos de Lisboa, Diana Carneiro Dias, diz que será preciso esperar para perceber a influência da expansão do passe ferroviário no passe que a TML gere, o passe Navegante. “Estamos a analisar os dados, até porque só agora é que vamos conseguir perceber se existe de facto esse público que vai dar preferência, ou se esse passe veio foi cativar novos passageiros”, aponta em declarações à RTP Antena 1.

Já o presidente da TMP – Transportes Metropolitanos do Porto é mais taxativo na sua análise: Nuno Neves de Sousa não acredita que exista um impacto significativo no uso do passe Andante. “A análise foi feita considerando as pessoas que tinham Andante e usavam apenas os serviços da CP”, e dessa análise conclui que “o número não é significativo”. O responsável da TMP defende que esta medida pode trazer mais gente para o transporte público.
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