Governo não vai encerrar 145 postos PSP e da GNR, garante José Sócrates
O primeiro-ministro afirmou que o Governo não seguirá a recomendação para encerrar 145 postos da PSP e da GNR feita por um estudo técnico e fará uma racionalização com base nas propostas dessas forças de segurança.
No debate mensal na Assembleia da República, dedicado à segurança, José Sócrates foi questionado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, sobre o estudo que recomenda o encerramento de "centena e meia de esquadras e postos da PSP e da GNR".
Jerónimo de Sousa referia-se ao estudo pedido pelo Ministério da Administração Interna, segundo o qual os postos da GNR com menos de 12 efectivos, um total de 37, e as esquadras da PSP com menos de 20 efectivos, 108 unidades, deverão ser extintos.
"Sobre o encerramento de centena e meia de postos a que se referiu, esqueça. Isso foi proposto no estudo mas não vai ser seguido pelo Governo. Será feita uma racionalização com base nas propostas da GNR e da PSP", respondeu o primeiro-ministro.
Depois, em resposta ao deputado do CDS-PP Nuno Magalhães, Sócrates reiterou essa posição e a auscultação dos comandantes e dirigentes das forças de segurança, acrescentando: "Não posso dizer que não vão ser encerrados postos da GNR".
José Sócrates não avançou mais nada sobre essa racionalização, depois de no seu discurso inicial ter dito que serão "limitadas às situações excepcionais" as freguesias que terão simultaneamente postos da GNR e esquadras da PSP.
Aproveitando a declaração de Sócrates de que a política não se pode basear apenas em critérios técnicos, o secretário-geral do PCP recomendou ao primeiro-ministro que "diga isso ao senhor ministro da Saúde".
"O que o senhor ministro da Saúde fez foi exactamente o que acaba de dizer", replicou o primeiro-ministro, completando que quanto ao encerramento de urgências "o Governo está a aplicar as contribuições técnicas caso a caso, tomando decisões políticas".
"Não nos deixamos impressionar com manifestações. Não deixaremos prejudicar o interesse geral só porque há um interesse local que acha que deve prevalecer para além do mais", salientou, contudo, José Sócrates.
Sócrates pediu que "o PCP não se comporte no caso das urgências como no caso das maternidades" e, respondendo ao CDS-PP, reforçou a sua pouca sensibilidade aos protestos: "Não temos medo das manifestações nem dos partidos que estão por trás dessas manifestações".
Em seguida, admitiria "negociações com o interesse local" para implementar "aquilo que deve ser feito".