Governo quer colocar Portugal ao nível da Europa em Equipamentos Sociais
O primeiro-ministro, José Sócrates, disse hoje que a concretização do Programa de Alargamento da Rede Nacional de Equipamentos Sociais (PARES) irá colocar Portugal ao nível dos restantes países europeus.
José Sócrates, que falava na apresentação do PARES, realizada hoje no auditório do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, afirmou que o objectivo deste programa é "recuperar do atraso e colocar Portugal ao nível do melhor que se faz na Europa" em matéria de equipamentos sociais.
O programa prevê um investimento de 450 milhões de euros, verba a aplicar nos próximos quatro anos, e que irá criar mais de 15 mil postos de trabalho e 45.700 vagas em creches, centros de actividades ocupacionais, lares residenciais, serviço de apoio domiciliário a pessoas com deficiência, centros de dia, lares de idosos e serviço de apoio domiciliário a idosos".
"Pretendemos nos próximos anos multiplicar por sete ou mais o investimento em equipamentos sociais", referiu o primeiro-ministro, criticando o desinvestimento durante a governação dos anteriores executivos.
"A redução foi tão significativa que nos fez andar para trás em termos de comparação internacional", afirmou José Sócrates.
Segundo o primeiro-ministro, em 2001, o Estado estava a investir cerca de 55 milhões de euros por ano em equipamentos sociais, verba que, em 2002, "se reduziu para níveis confrangedores".
Entre 2002 e 2005, o Estado investiu 60 milhões de euros em equipamentos sociais, afirmou Sócrates.
Com o plano hoje apresentado, o Governo pretende "cortar com o desinvestimento do passado" e "dar novo impulso às políticas sociais".
Actualmente, e de acordo com uma nota do Ministério do Trabalho e da Segurança Social (MTSS), a cobertura total actual no território nacional é de 23,5 por cento no caso das creches, 16,5 por cento em centros de actividades ocupacionais (CAO) e de 8,2 por cento relativamente a lares de idosos.
O objectivo do programa hoje apresentado é de, até 2009, aumentar em 50 por cento o número de creches, em 30 por cento o serviço de apoio domiciliário a pessoas com deficiência, em 17,5 por cento os lares residenciais, e em 10 por cento os CAO, os centros de dias, os lares de idosos e os serviços de apoio domiciliários a idosos.
No total serão criados 45.700 novos lugares, 39.500 dos quais na rede não lucrativa e 6.200 na rede privada, sendo elegíveis obras de construção de raiz, ampliação e remodelação, de aquisição de imóvel ou fracção e de equipamento móvel (este último apenas na rede não lucrativa).
Uma das características da aplicação deste programa, financiado pelas verbas provenientes dos jogos sociais, é o planeamento territorial, de acordo com o documento.
O PERES, afirmou José Sócrates, destina-se "às áreas onde esses equipamentos são mais necessários", tendo prioridade os "projectos inseridos em áreas geográficas com uma taxa de cobertura mais baixa".
Trata-se, de acordo com o primeiro-ministro, de um programa "inovador, de estabilidade, que assume prioridades" e que tem "ambição e clareza", até porque, acrescentou, o "Governo está a dizer quanto vai investir, onde vai investir e durante quanto tempo".
Durante a apresentação do PERES, o primeiro-ministro fez questão de salientar o facto de este se realizar através de parcerias com as câmaras municipais e com as instituições particulares de solidariedade social (IPSS), mas também com os privados, porque o governo entende que "a rede privada é essencial para o país", disse.
Falando também na cerimónia, o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, disse que este programa "é mais uma pedra na estratégia integrada de desenvolvimento social" do Governo.
"Este plano não é uma promessa, não é um plano vago de intenções, está pronto para ir de imediato para o terreno", afirmou o ministro.
"É um programa de enorme ambição", acrescentou Vieira da Silva.
As candidaturas para projectos da rede solidária no âmbito do PERES têm início no próximo mês de Abril - para creches, lares residenciais e centros de dia -, arrancando depois em Junho para os lares de idosos e centros de actividades ocupacionais.
Relativamente à rede privada, as candidaturas terão início a partir de Junho de 2006.
O programa hoje apresentado tinha já sido referido pelo primeiro-ministro a 24 de Fevereiro, na Assembleia da República.
José Sócrates explicou então no Parlamento que o primeiro objectivo do programa é estabelecer uma linha "específica dirigida ao reforço dos equipamentos sociais para os idosos mais carenciados, de modo a assegurar, até 2009, 13 mil novas vagas em centros de dia, lares e serviços de apoio domiciliário".
Na altura, o chefe de Governo indicou que o programa permitirá também "reforçar as infra-estruturas de apoio às pessoas com deficiência" viabilizando 1.000 novas vagas em Centros de Actividade Ocupacional e lares residenciais, e apostar no apoio social ás crianças e ás famílias, "assegurando mais 31 mil lugares em creches.
No debate mensal na Assembleia da República, em Fevereiro, o primeiro-ministro disse ainda que "dez por cento das novas vagas ficarão a cargo da iniciativa privada lucrativa, que contará, igualmente, com uma linha específica de apoio".