Governo vai reabrir Unidade de Convalescença de Macedo de Cavaleiros
O Governo anunciou hoje que vai reabrir, dois anos depois de encerrada, a Unidade de Convalescença de Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, destinada a receber doentes com alta hospitalar, mas ainda a necessitar de cuidados.
Esta unidade fará parte, como acontecia anteriormente, da Rede Nacional de Cuidados Continuados com 15 camas para internamentos não superiores a 30 dias, enquanto os casos que necessitam de mais tempo continuarão a ser encaminhados para os cuidados de média e longa duração em outras unidades da região.
A novidade foi avançada hoje pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgada, durante uma visita ao hospital de Macedo de Cavaleiros, onde funcionou e voltará a funcionar a Unidade de Convalescença "a muito breve trecho", segundo o governante.
A Unidade de Convalescença foi encerrada no final de 2014, pelo anterior Governo PSD-CDS/PP e substituída por uma Unidade de Cuidados Paliativos com 15 camas para doentes terminais.
O secretário de Estado socialista justificou a decisão de reabrir o serviço por "uma questão de planeamento e de necessidades", concluindo que esta região necessita destes cuidados para recuperação de doentes em internamentos de curta duração.
O governante salientou também a "componente económica" que pesou na decisão, sustentando que estas unidades libertam camas dos hospitais, "que são camas muito caras", para tratar os casos agudos, aqueles que necessitam de cuidados hospitalares.
A unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste é a responsável por todos os cuidados do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no distrito de Bragança e o presidente, Carlos Vaz, afirmou que espera que a Unidade de Convalescença de Macedo de Cavaleiros "esteja a funcionar em poucos meses", sem especificar datas.
O edifício do hospital local tem as condições físicas para prestar estes serviços, segundo garantiram os responsáveis.
O presidente da ULS do Nordeste afirmou ainda que a mudança de estratégia que levou à decisão de reabrir a unidade prende-se com a evolução da resposta nos cuidados paliativos que vieram a substituir a mesma.
Carlos Vaz garantiu que a Unidade de Cuidados Paliativos "mantém-se", porém apontou que as necessidades são atualmente diferente com as equipas de cuidados domiciliários paliativos a acompanharem cerca de 200 famílias na casa dos doentes em fase terminal.
Esta análise é motivo de "preocupação" para o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Duarte Moreno, que teme que para instalar a Unidade de Convalescença sejam retiradas camas à Unidade de Paliativos.
"Há aqui algumas particularidades que não ficaram bem esclarecidas e eu vou tentar esclarecê-las no sentido de que enriqueçam a unidade e não a diminuam, retirando-lhe algumas valências", afirmou.
O autarca social-democrata considerou que o encerramento da Unidade de Convalescença, há dois anos, "foi um erro" e a decisão da reabertura vem confirmar a necessidade destes cuidados num distrito em que mais de metade da população está envelhecida, com mais de 65 anos.
O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, deixou ainda a promessa de que "há disponibilidade" do Governo para criar mais camas de Cuidados Continuados na região, respondendo a uma reivindicação de autarcas e entidades locais, que reclamam mais meia centena de vagas.
As misericórdias de Bragança e Mirandela têm unidades de cuidados continuados com camas disponíveis, mas vazias por falta de comparticipação do Ministério da Saúde.
Também a Câmara de Vinhais tem vindo a reclamar financiamento do Governo para abrir um edifício construído para este fim que nunca chegou a ser utilizado também por ausência de acordos.