País
Grande Entrevista. Pedro Abrunhosa acusa Governo de instrumentalizar a polícia
Na “Grande Entrevista” desta quarta-feira, Pedro Abrunhosa disse que as cargas policiais nas manifestações pela habitação são “cargas políticas”, e acusou o Governo de tentar descredibilizar os protestos com violência.
Na entrevista com Vítor Gonçalves, o músico começou por saudar a vitória dos democratas nos EUA como um “dia feliz para a democracia”, considerando que “começa a haver um movimento de reação a um populismo que estava em crescendo”.
“É um sinal que as coisas estão a mudar”, disse.
Já sobre Portugal e as manifestações pela habitação que têm marcado os últimos dias, Pedro Abrunhosa diz não ter dúvidas de que as cargas policiais “são cargas políticas” e diz nunca ter visto uma provocação da parte dos manifestantes.
“O que eu vi foi uma tentativa política de instrumentalizar a violência policial para que houvesse uma reação dos manifestantes, como em Paris, para depois culparem os manifestantes dessa violência”, observou.
“Isso é a grande derrota deste Governo. A grande derrota deste Governo começou agora”, acrescentou.
“Não são os manifestantes contra a polícia. São os manifestantes contra a política”, sublinha, recordando que os protestos começaram por ser contra a lei do arrendamento, que vem “penalizar ainda mais” os portugueses e o país.
“Quando a fogueira está acesa, o Governo prepara-se para deitar gasolina”, afirma, considerando que os jovens presentes nas manifestações “não se estão a rever no futuro”.
“Faz falta a palavra do Presidente”
Apesar disso, Abrunhosa diz ver a tentativa de diálogo da parte da autarquia do Porto “com alguma esperança”.
“O Porto ainda vai gerindo esta vanguarda na defesa dos seus e eu acredito que o Pedro Duarte percebeu isso”, afirma.
“O Porto insurge-se. O Porto não verga”, declara.
O cantor assume que não votou em Pedro Duarte para presidente da Câmara da cidade invicta, mas descreve os seus primeiros meses no cargo como “excelentes”, destacando a “coragem” por ter proibido os camiões de circularem na VCI e a gratuitidade dos transportes.
Em relação à atuação do Presidente da República, o cantor lamentou o seu silêncio. “A primeira pessoa a defender é o cidadão e no momento em que a polícia exerce uma carga policial sobre cidadãos, o Presidente tinha de ter saído para comprar um gelado ou ir a um multibanco e feito uma declaração”, disse Abrunhosa.
“Faz falta a palavra do Presidente”, diz, afirmando que António José Seguro “deve desobedecer-se civilmente a si próprio e sair à rua quando necessário”.
IA “é um roubo”
Questionado ainda sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) no mundo artístico, Pedro Abrunhosa diz que é “um roubo”.
“Não podemos deixar que a IA seja propriedade de alguns”, sublinha, defendendo que é preciso controlar “esta nova realidade”.
Embora reconheça que tem “um enorme potencial”, Pedro Abrunhosa defende que a regulação para a IA “é fundamental”.