Greves contra Orçamento do Estado param comboios, autocarros e barcos
Agudiza-se esta quinta-feira a vaga de contestação dos trabalhadores dos transportes, com o recurso à greve a alargar-se a quase todo o sector. Na CP a paralisação prolonga-se por 24 horas e a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações adverte para “fortes perturbações em todo o país”, embora a empresa garanta estar “empenhada em realizar todos os comboios que for possível”. Em Lisboa os profissionais da Carris param entre as 9h30 e as 15h30, a somar a mais uma jornada de protesto na Soflusa. A luta contra medidas do Orçamento do Estado para 2014 estende-se a norte: os autocarros da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto estacionam durante oito horas.
De acordo com a porta-voz da CP, entretanto ouvida pela Lusa, os comboios da linha de Sintra e da Azambuja eram esta manhã os mais afetados pela greve.
“Até às seis da manhã foram realizados apenas 51 dos 63 comboios programados no país, o equivalente a 20 por cento de supressão”, indicou Ana Portela.
“É sempre uma incógnita mas, por aquilo que nos chega, esperamos que vá haver fortes perturbações na circulação em todo o país”, antecipava ontem o coordenador da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), José Manuel Oliveira, em declarações à agência Lusa.
O mesmo dirigente sindical ressalvou, todavia, que “numa greve de 24 horas não estão postas em causa necessidades sociais impreteríveis”.
Quanto ao facto de o Sindicato dos Maquinistas ter ficado à margem do protesto, o coordenador da Fectrans sublinhou que “todos os trabalhadores” da CP e da CP Carga foram “abrangidos pelo pré-aviso de greve”. E disse-se convencido de que “há muitos que vão aderir, independentemente dessa posição”.
Por sua vez, a porta-voz da CP, Ana Portela, quis garantir que a empresa “está empenhada em realizar todos os comboios que for possível a nível nacional, com os trabalhadores que estiverem disponíveis para esse efeito”.
Já esta quinta-feira a Fectrans admitiu que a greve de 24 horas dos trabalhadores da CP não está a reunir uma “adesão total”, mas está a causar “impactos significativos na circulação”.
Oito horas de greve na STCP
Na mira dos sindicatos estão medidas previstas na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano, nomeadamente os cortes salariais, a concessão de transportadoras públicas a privados e a redução das indemnizações compensatórias.
Trata-se, segundo o coordenador da Fectrans, de um pacote que “vai ter implicações muito grandes ao nível dos rendimentos, do trabalho extraordinário, dos subsídios de refeições e pagamento do horário noturno” dos profissionais do sector. Mas haverá também consequências para quem utiliza os transportes públicos: “Vai colocar em causa a qualidade, a segurança, a fiabilidade do serviço prestado e vai ter implicações muito graves para os utentes, porque irão pagar aquilo que o Estado deixará de pagar”.
O secretário de Estado dos Transportes afirmava há uma semana, em dia de greve no Metropolitano de Lisboa, que “nada” levaria o governo a alterar a sua política para o sector.
Foto: Lusa
“Não negociamos com base em greves e os grevistas, dois anos depois, já deviam ter percebido isso. Não há nada que nos faça mudar de política, porque a política é para a sobrevivência das empresas. Não tomamos decisões na área dos transportes para os trabalhadores, tomamo-las para os clientes. Mau era se o governo legislasse para os trabalhadores das empresas da tutela”, frisava então Sérgio Monteiro.
Na Grande Lisboa, além dos comboios, prossegue a greve parcial na Soflusa, com as ligações fluviais entre a capital e o Barreiro a ficarem condicionadas durante as horas de ponta, e haverá também uma paralisação na Carris, das 9h30 às 15h30, com um plenário de trabalhadores pelo meio. Fonte desta transportadora rodoviária, citada pela Lusa, desvalorizou o alcance do protesto, estimando que “não vai haver paragem nenhuma”, ainda que possa “haver perturbações”.
Na Invicta a greve na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) teve início às 8h00 e só terminará pelas 16h00. A Comissão de Trabalhadores da STCP adiantava nas últimas horas que seriam “poucos” os autocarros “a circular nas ruas” durante as oito horas de paralisação. Já a empresa admite “a possibilidade de ocorrência de perturbações no seu serviço”, assinalando que “não foram autorizados pelo tribunal arbitral os serviços mínimos”.