Gripe das Aves - Parque Biológico de Gaia reforça stock de material desinfectante

O Parque Biológico de Gaia (PBG) anunciou hoje que decidiu reforçar o stock de material necessário para fazer face a um eventual aparecimento da gripe das aves.

Agência LUSA /

"Embora esteja tranquilo vou continuar atento à evolução [mundial] da doença", afirmou à agência Lusa o director do Parque, Nuno Oliveira.

O responsável anunciou que a primeira medida já tomada foi a de reforçar a quantidade de material existente para fazer face a uma eventual pandemia entre as aves, nomeadamente luvas, máscaras e desinfectantes.

"Se a gripe das aves aparecer, este tipo de coisas pode esgotar-se", disse.

No PBG é possível observar mais de 100 espécies de animais em estado selvagem e cerca de 600 espécies em cativeiro, sobretudo aves.

Localizado num vale agro-florestal, definido pelo Rio Febros, em Vila Nova de Gaia, o PBG está também a enviar, segundo Nuno Oliveira, para o Laboratório Nacional de Veterinária amostras de aves que aparecem mortas ou feridas.

"Neste momento não estamos preocupados com a gripe das aves", reafirmou.

Sustentou, no entanto, que a situação apenas será preocupante quando "a doença existir e de forma descontrolada".

Pelo PBG passam anualmente muitas aves migratórias, mas sobretudo espécies que não estão, para já, conotadas com a doença, acrescentou o director do Parque.

Nuno Oliveira adiantou que se a gripe das aves chegar a Portugal "de forma descontrolada" todas as espécies ali existentes em cativeiro serão "retiradas de exposição" e as "gaiolas serão embrulhadas numa tela", para evitar eventual propagação e contágio da doença.

O responsável alertou ainda para a "confusão pública" que pode ocorrer entre a doença de Newcastle - de que têm surgido casos pontuais em Portugal - e que pode alarmar desnecessariamente as populações.

"Trata-se [a doença de Newcastle] de uma doença exclusiva das aves, podendo ser mortal e cujos sintomas são semelhantes ao da gripe das aves", frisou Nuno Oliveira.

O responsável referiu que "ainda há dois dias" chegou ao PBG um melro com esta doença.

Todos os anos chegam centenas de animais mortos ou feridos ao PBG e, no que respeita a aves, afirmou Nuno Oliveira, "o parque recolhe amostras e envia-as para o Laboratório Nacional de Veterinária" para despistagem.

Neste mês de Outubro, "trouxeram ao PBG 66 aves mortas ou feridas, sendo que relativamente a igual período do ano passado o número é idêntico", acrescentou.

O director afirmou não estar preocupado, mas atento à evolução da doença na Europa e no Mundo, sendo que as espécies migratórias que passam pelo PBG são, sobretudo, estorninhos e tordos e os casos já confirmados de gripe das aves ocorreram em aves aquáticas.

No Mindelo, Vila do Conde, a poucos quilómetros do Porto, existe uma Reserva Ornitológica, onde, para já, não está a ser feita uma campanha de despistagem da gripe das aves.

A criação, no local, de uma área de paisagem protegida é reclamada há muito por associações ambientalistas e pela autarquia local.

Pedro Macedo, da associação ambientalista Amigos do Mindelo, disse hoje à Lusa que as aves que por agora circulam na zona não inspiram cuidados especiais, por não serem aquáticas.

O ambientalista lembrou que se já estivesse criada uma área protegida na ROM poderia estar já a ser feito um rastreio da gripe das aves no Mindelo.

"A gripe das aves vem demonstrar como faz falta uma entidade que faça a gestão da área", frisou.


PUB