Grupo angolano acusa responsáveis da UnI de "má fé"

A DEA acusa os elementos da Universidade Independente (UnI) Rui Verde e Amadeu Lima de Carvalho de "má fé" no negócio da compra da Universidade portuguesa, o que inviabilizou a operação.

Agência LUSA /
As aulas continuam suspensas DR

Contactado telefonicamente para Moscovo pela agência Lusa, Carlos Burity da Silva, responsável do grupo DEA (Desenvolvimento ao Ensino Superior de Angola, SA) e reitor da Universidade Independente de Angola, acusou o vice-reitor exonerado da UnI Rui Verde e o fundador e accionista Amadeu Lima de Carvalho de "agirem de má fé no negócio da compra de acções".

"Acabaram por defraudar o grupo (DEA), tendo este decidido afastar-se do processo em Outubro de 2005", sublinhou.

Burity da Silva revelou que as negociações para a compra da maioria das acções da empresa gestora da UNI, a SIDES, foram "mantidas com Rui Verde e com Amadeu Lima de Carvalho".

"A Universidade Independente de Angola, através do grupo DEA adquiriu 67,5 por cento de acções da SIDES, depois de as ter comprado a Amadeu Lima de Carvalho" no início de 2005, disse.

Devido ao negócio, o grupo DEA foi o accionista maioritário da universidade particular portuguesa durante seis meses e um dos seus representantes assumiu a vice-presidência da direcção da SIDES.

Passado esse período, adianta Burity da Silva, houve "uma quebra de compromisso e as acções foram devolvidas a Amadeu Lima de Carvalho".

Neste momento o grupo DEA diz-se credor das parcelas que pagou pelas acções.

O responsável máximo do grupo recusou-se sempre a adiantar o montante envolvido na aquisição das acções.

O reitor da Universidade angolana afirma ter documentos na sua posse que comprovam a "cedência ao grupo DEA das acções de Amadeu Lima de Carvalho", que por sua vez as tinha recebido do vice-reitor Rui Verde em pagamento de uma dívida.

Burity da Silva garante ainda ter outros documentos que "atestam a entrega de acções por parte de Rui Verde a Amadeu Lima de Carvalho".

"Posteriormente Rui Verde voltou atrás com a sua palavra e as acções do grupo DEA foram impugnadas em assembleia-geral" de accionistas da SIDES, referiu.

A reunião magna de accionistas alegou que as acções entregues por Rui Verde não estavam registadas, isto é, não foram consideradas válidas para efeitos de votação por parte do grupo DEA.

O accionista Amadeu Lima de Carvalho garantiu terça-feira à SIC que o grupo angolano continua a ser proprietário da SIDES, depois de lhes ter vendido 57,5 por cento das acções.

Disse ainda que inicialmente detinha 45 por cento das acções e que Rui Verde lhe cedeu outros 22,5 por cento para saldar dívidas, passando a ficar com 67,5 por cento.

O Reitor da Universidade Independente, Luiz Arouca, contesta estes números, afirmando que Amadeu Lima de Carvalho nunca teve mais que 25 por cento das acções e que a cedência de acções por parte de Rui Verde foi ilegal.

Todo este processo está a ser alvo de uma disputa nos tribunais.

Face a esta confusão jurídica, o grupo DEA deu como desfeito o negócio em Outubro de 2005 e Burity da Silva afirma agora que, neste momento, não há " qualquer ligação entre as duas universidades".

"As ligações foram quebradas em Outubro de 2005. São duas entidades privadas de ensino absolutamente autónomas" acrescentou.

Segundo Burity da Silva, com "a compra das acções da SIDES, o grupo DEA pretendia que a Universidade Independente fosse um pólo de desenvolvimento da instituição angolana para servir os alunos do país", alguns dos quais residentes em Portugal.

Questionado sobre a situação vivida actualmente na UnI, Burity da Silva demarcou-se, afirmando que "é pelo principio da não ingerência nos assuntos internos das instituições".

"A Universidade Independente de Angola nada tem a ver com o que se passa na instituição portuguesa e não tem intenção de interferir", garantiu.

As aulas na Universidade Independente estão suspensas até à próxima segunda-feira, depois de na segunda-feira o reitor da Universidade ter demitido o vice-reitor, Rui Verde, por alegadamente ter desviado avultadas verbas da instituição.

Luiz Arouca nomeou segunda-feira de manhã uma nova direcção da Sociedade Independente para o Desenvolvimento do Ensino Superior (SIDES), empresa proprietária da universidade.

Com Rui Verde, que presidia também à direcção da SIDES, foram igualmente afastadas mais 20 pessoas, entre académicos e membros da direcção da SIDES.


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