Guia de implementação de educação multicultural apresentado no Porto

A Universidade do Porto (UP) apresentou hoje o Projecto Inter, um guia prático para a implementação da educação intermulticultural na escola que contou com o envolvimento de 10 instituições de sete países europeus.

Agência LUSA /

Um dos objectivos deste projecto é promover a discussão sobre educação intercultural como forma de transformar e melhorar o processo educativo formal e não formal.

O guia foi apresentado no âmbito do colóquio "Implementação da Educação Intermulticultural na Escola", organizado pela UP e a Escola Superior de Educação Paula Frassinetti que visa debater a integração da crescente diversidade cultural da população nas escolas nacionais.

O colóquio, que decorre até terça-feira no auditório da Reitoria da UP, reúne cerca de 250 professores e outros profissionais do ensino básico e secundário, que discutirão a integração e coexistência na escola de grupos culturalmente heterogéneos e as metodologias mais adequadas para enfrentar a diversidade da população escolar.

Maria Pinto, professora da UP, disse à Lusa que o objectivo, agora, é "disseminar o mais possível o guia e tentar que o professor o aplique da melhor forma na sala de aula".

O guia, porém, não apresenta receitas para lidar com a interculturalidade, "apenas levanta questões", disse.

Segundo a responsável, a ideia é mudar a mentalidade dos educadores para trabalhar melhor a multicultura existente nas escolas.

Maria Pinto salientou que, quando o guia estava já em fase de acabamento, houve a percepção de que o manual se dirige não só a professores e educadores, mas "a todos aqueles que poderão ter contacto com outras culturas", nomeadamente médicos e assistentes sociais, entre outros profissionais.

O guia, que obteve o primeiro prémio da Fundação Evens, fornece ao leitor desafios para repensar e reformular as suas ideias e práticas correntes acerca da educação.

A equipa que produziu o guia defende que as escolas deveriam ser para todos os alunos e que significa que "os professores têm que olhar às necessidades dos indivíduos e usar esse conhecimento para dar uma educação individual no seio de um ambiente inclusivo".

O guia encontra-se dividido em oito módulos e cada um deles aborda a educação intercultural e os modos de a implementar a partir de um ângulo diferente.

Maria Pinto referiu ainda que este projecto, financiado por fundos comunitários, nomeadamente pelo programa Sócrates, nasceu da "nova vaga de imigração que ocorreu na Europa", nomeadamente de pessoas vinda de países do Leste.

"Todos sentiram necessidade de integrar imediatamente essas pessoas", disse.

à UP, além de colaborar na elaboração de alguns conteúdos do guia, coube conceber o sítio e o DVD.

O guia refere, por exemplo, que a educação intercultural não é ter receitas para resolver conflitos e misturar alunos de ambientes diferentes sem promover relações positivas ou outras finalidades mais alargadas.

Está disponível na Internet, através do site http://inter.up.pt.

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