"Há campanha para acabar com suplementos alimentares", acusa representante do sector

Lisboa, 22 Abr (Lusa) - O presidente da Associação que representa o sector dos suplementos alimentares reagiu hoje à advertência de um ministro acerca do produto Herbalive considerando que se está assistir a uma "campanha para acabar com o sector".

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Em declarações à Agência Lusa, Raul Oliveira, que lidera a Associação Portuguesa de Alimentação Racional e Dietética (APARD), acrescentou que "vão aparecer mais meia dúzia de casos ainda esta semana" relacionados com suplementos alimentares inseridos na "campanha" a que alude.

A reacção surge depois de o ministro da Agricultura, Jaime Silva, ter hoje desaconselhado o consumo sem controlo médico de produtos dietéticos, como o Herbalife, tal como fizera segunda-feira o Ministério da Saúde espanhol depois de surgirem naquele país casos de intoxicação alegadamente relacionados com o produto.

"O Governo chama a atenção dos portugueses para a necessidade de terem muito cuidado quando consomem produtos naturais sobre a forma de concentrados, recorrendo sempre ao conselho de um médico ou nutricionista", disse ainda Jaime Silva.

Raúl Oliveira diz que a "campanha" começou com a retirada do mercado da Depuralina, outro suplemento alimentar, decidida pela Direcção-Geral de Saúde no início do mês, que acusa por não ter ainda vindo apresentar os resultados das análises que mandou fazer ao produto.

"Porque é que o senhor director-geral de Saúde não veio ainda dizer que foi enganado", questiona o presidente da APARD, lamentando que as autoridades do sector não tenham ainda anunciado o resultado dos exames que mandou efectuar.

Ao contrário, garante, as organizações do sector já têm disponíveis para o público as conclusões de análises que dizem ter mandado realizar em laboratórios "independentes".

"Toda a gente sabe que não substâncias esquisitas da Depuralina", dado que aquele produto como os restantes suplementos alimentares são sujeitos a análises pelas autoridades comunitárias e só depois autorizada a sua comercialização.

Questionado sobre a quem interessará a "campanha" a que alude, Raúl Oliveira referiu que é protagonizada por quem "não quer haja suplementos alimentares ou quem quer que o sector fique sob tutela da autoridade do medicamento [INFARMED]", possibilidade que recusa por os suplementos estarem no grupo alimentar e não no conjunto dos produtos de uso médico.

O responsável anunciou ainda que Associação que dirige vai realizar uma assembleia geral na quarta-feira onde um dos temas em agenda é accionar uma queixa judicial contra a Associação Portuguesa de Nutricionistas por membros desta organização por terem vindo a "dizer barbaridades sobre os suplementos alimentares", quando "alguns nem sabem o que isso é".

AMN.


PUB