Há muito a fazer na reintegração de sobreviventes do cancro da mama

A Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) considera haver "bastante a fazer" para a reintegração de sobreviventes do cancro da mama, nomeadamente na flexibilização das leis laborais e na sensibilização da sociedade civil, sublinha a vice-presidente, Gabriela Sousa.

Lusa /
O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento D.R.-Facebook

"Ainda há bastante a fazer na reabilitação dos nossos doentes após tratamento com intenção curativa", salienta a senologista, segundo a qual "a experiência de passar pelos vários tipos de tratamento é uma experiência que implica reaprender a viver depois do cancro".

A vice-presidente da entidade que se dedica ao estudo do cancro da mama enfatiza, em declarações à agência Lusa, que "o mais difícil é o equilíbrio entre aquilo que a pessoa quer fazer e aquilo que a pessoa efetivamente consegue fazer e a forma como é apoiada pelos amigos e pela família".

Para sensibilizar a sociedade para as dificuldades que enfrentam as sobreviventes da doença, e abordar as particularidades associadas e as situações a ter em conta, a SPS lança hoje a campanha "Viver depois do cancro da mama", com o apoio das embaixadoras do projeto, a atriz Carla Andrino e a radialista Joana Cruz, pessoas que "podem dar um testemunho de vivência na primeira pessoa".

A campanha incide no que fazer ao nível da nutrição, alertando para uma alimentação respeitando a roda dos alimentos; na necessidade de fazer exercício físico adaptado à condição de cada um; nas técnicas de relaxamento que peritos vão recomendar e na sexualidade.

Gabriela Sousa chama a atenção para a elevada taxa de divórcios após o diagnóstico e tratamentos ao cancro da mama e alerta para a necessidade de os companheiros saberem lidar com as dificuldades que advêm das alterações da imagem ou das alterações hormonais, com implicações na sexualidade.

A médica defende ainda "uma reestruturação" das leis laborais e uma "mudança de mentalidades das entidades empregadoras ao nível das relações sociais no local de trabalho, porque essas pessoas vão fragilizadas por um diagnóstico que pôs em risco a sua vida e por um tratamento que lhe deixa marcas".

Anualmente são detetados cerca de seis mil novos casos de cancro da mama em Portugal, embora a taxa de sobrevivência seja superior a 90% no final de cinco anos do diagnóstico.

Gabriela Sousa refere a importância de um diagnóstico precoce e a necessidade de fazer o rastreio, no caso de quem nota algum sinal, tem fatores de risco ou antecedentes familiares, antes dos 50 anos recomendados para o exame periódico.
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