Habitação: maior sindicato da PSP pede que não se use a polícia como "arma política"

Habitação: maior sindicato da PSP pede que não se use a polícia como "arma política"

O maior sindicato da PSP acusa o Governo de "intrumentalizar a ação policial" nos protestos pela habitação e de "expor os operacionais no terreno a situações extremas".

RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) criticou a postura do Governo de “instrumentalizar a ação policial” nos protestos pela habitação e “expor os operacionais no terreno a situações extremas”, lamentando a “intromissão política”.

“A ASPP/PSP lamenta profundamente a postura recente do Governo — em particular do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna. Ao instrumentalizarem a ação policial, continuam a expor os operacionais no terreno a situações extremas, arriscando a imagem e a reputação construídas pelos polícias com rigor e proximidade ao longo de anos”, refere o maior sindicato da PSP num comunicado sobre as intervenções policiais nas acampadas de Lisboa e Porto.

Ouvido pela RTP Antena 1, o presidente da ASPP, Paulo Santos critica a postura "mediática e populista" que se aborda o tema no espaço público. 


"O que nós pretendemos é que uma vez mais é que quem exerce funções políticas deixe de usar e recorrer à PSP para efeitos que não sejam aqueles para os quais ela existe e que não se use os profissionais da PSP para usar como arma política, governativa", afirma Paulo Santos. 



A ASPP/PSP considera também que “a atuação forçada nos recentes episódios revela limitações à liberdade de ação da polícia, além de uma precipitação e intromissão política inaceitáveis, que comprometem a instituição e os seus profissionais”.

“Os constantes ziguezagues do MAI, a leviandade perante decisões judiciais e a aplicação cega de regras transferem indevidamente o ónus da crise da habitação para os polícias, com graves consequências reputacionais e operacionais”, salienta o sindicato, que diz ter até agora optado pelo silêncio "para não alimentar o espetáculo mediático”.

Sustentando que não pretende “revisitar o célebre episódio dos secos e molhados de 1989", em que polícias fardados carregaram contra polícias que se manifestavam por melhor condições de trabalho, a ASPP precisa: “mantemos a crítica frontal ao Governo e a defesa intransigente dos profissionais da PSP, nas suas várias dimensões”.

“Sobre as restrições impostas e a forma como alguns setores interpretam o direito de manifestação — atuando em aparente alinhamento com o poder governativo —, a ASPP/PSP alerta para o seguinte: enquanto estrutura representativa de profissionais (sindicato), o que hoje condiciona uns, amanhã limitará os direitos de todos, incluindo os dos polícias”, refere ainda o sindicato.

Os protestos pelo direito à habitação começaram a 10 de outubro na Praça D. João I, no Porto, e em Lisboa a 17 de outubro na Praça do Rossio, tendo a PSP dispersado em diversas ocasiões as acampadas com cargas policiais que levaram à detenção de dezenas de pessoas e provocaram dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

(C/ Lusa)
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