Herdade da Comporta vai utilizar bactéria para combater mosquitos nos arrozais
Alcácer do Sal, 29 Nov (Lusa) - A Herdade da Comporta, juntamente com os municípios de Alcácer do Sal e Grândola, vai combater a elevada população de mosquitos existente nos seis mil hectares de arrozais da zona, através de uma bactéria que ataca as larvas.
O projecto já envolveu o estudo e a identificação dos sítios onde há criação de mosquitos, mas as acções no terreno para controlar a população do insecto só deverão arrancar em Abril de 2008, explicou hoje à agência Lusa um responsável da Herdade da Comporta.
António Moreira, director das valências agrícolas daquela que é a "maior herdade privada existente em Portugal", sublinhou a importância deste plano de acção.
"É um problema para as populações, daí o envolvimento dos municípios, e para o desenvolvimento turístico desta zona", justificou.
Além disso, lembrou, "com as alterações climáticas que estão a surgir", a elevada população de mosquitos pode representar "perigo para a saúde pública", visto tratar-se de um insecto que pode ser portador de vírus de várias doenças, como a malária.
"Cada vez está mais calor e, apesar de, por agora, não ser nada, pode vir a ser perigoso", afiançou António Moreira.
Alcácer do Sal e Grândola concentram a grande parte dos projectos turísticos do litoral alentejano, mas, quando o tempo começa a aquecer, a população de mosquitos, sobretudo de quatro espécies, torna-se muito elevada.
Os quase seis mil hectares de arrozais existentes nessas áreas, mas também os campos de arroz abandonados e os sapais, onde a água fica mais parada, são os locais que servem de "maternidade" aos mosquitos e nos quais se centra o seu combate.
Este projecto da Herdade da Comporta vai ser alvo de uma sessão pública, sexta-feira, no auditório municipal de Alcácer do Sal, para explicar o levantamento feito sobre os locais de criação e a metodologia a aplicar no terreno.
António Moreira revelou à Lusa que o plano de acção, concebido por uma empresa grega especializada no combate aos mosquitos, a Ecodevelopment, vai implicar a utilização de uma bactéria (bacilus turingiensis) que ataca as larvas e impede o desenvolvimento do insecto.
"É um produto biológico e que só ataca as larvas, permitindo actuar em ambiente terrestre", disse, apontando que o procedimento tem vantagens relativamente a tratamentos em ambiente aquático.
Isto porque, realçou, se for colocado "um produto qualquer na água, mata tudo e causa um impacto muito maior", ao contrário desta bactéria que "só ataca o que se quer e até se pode aplicar em tratamentos de água potável", nomeadamente em albufeiras.
A partir de Abril do próximo, adiantou, começará a ser feita diariamente a prospecção das zonas passíveis de acolher larvas de mosquito e, nos locais em que estas forem sendo detectadas, será feito o tratamento.
"As acções nos arrozais e nos sapais devem prolongar-se até final de Setembro, quando normalmente acaba a época de reprodução dos mosquitos", disse, acrescentando que esta actuação, depois, terá que ser repetida anualmente.
A Herdade da Comporta tem 12.500 hectares de área, nos concelhos de Alcácer do Sal e Grândola, dos quais mil hectares são arrozais (os outros cinco mil hectares incluídos no projecto são fora da herdade), produzindo também vinho e dedicando-se a áreas como o turismo e o imobiliário.
RRL.
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