Homem acusado de burlas na internet em silêncio no início do julgamento em Loures
Loures, Lisboa, 15 fev (Lusa) -- Um homem acusado de ter burlado mais de 30 pessoas, através de vendas "fictícias" na internet, recusou-se hoje a prestar declarações durante a primeira sessão do julgamento, que decorreu no Tribunal da Comarca Lisboa Norte, em Loures.
O arguido, de 23 anos, publicou na internet, entre julho de 2012 e setembro de 2013 e sob identidades falsas e indicando vários contactos, anúncios para a venda de acessórios para automóveis, com preços entre 40 e 500 euros, segundo refere a acusação do Ministério Público.
Os interessados entravam em contacto com o arguido, na altura residente no concelho de Torres Vedras, por e-mail ou mensagem de telemóvel, para obterem informações. Quando demonstravam interesse na aquisição dos artigos, recebiam indicações para procederem à transferência bancária do valor combinado, mas nunca chegavam a receber a mercadoria.
Durante mais de um ano, o arguido, acusado de burla qualificada, terá enganado mais de 30 pessoas, em mais de cinco mil euros.
No âmbito deste processo, a mãe deste homem foi também constituída arguida, acusada, juntamente com o filho, de crimes de furto simples e burla informática, por, entre março e abril de 2013, se terem apropriado do cartão multibanco e respetivo código de um homem, residente em Torres Vedras e com quem a mulher mantinha um relacionamento amoroso, tendo efetuado levantamentos acima dos 1.500 euros.
Sobre os factos, o arguido recusou-se a prestar declarações ao coletivo de juízes.
No entanto, o tribunal ouviu várias testemunhas que atestaram ter depositado dinheiro na conta do arguido com o propósito de adquirir acessórios para automóveis, sem nunca receber a encomenda.
Ao contrário do filho, a arguida decidiu prestar declarações ao coletivo de juízes para explicar a acusação respeitante à queixa do roubo do cartão multibanco.
A mulher declarou que o cartão multibanco tinha sido "cedido voluntariamente" pelo queixoso, com quem mantinha um caso amoroso, e que a queixa seria uma vingança por esta ter terminado a relação.
Por seu turno, num relato "confuso" e "incoerente", o queixoso afiançou que o cartão multibanco tinha sido roubado da sua carteira, assim como o código pin.
A próxima sessão de julgamento, onde serão ouvidos mais testemunhos de pessoas enganadas pela venda de peças "fictícias" está agendada para o dia 22, às 14:00.