Homenagem a prostituta assassinada em Lisboa chega a capitais europeias

Homenagem a prostituta assassinada em Lisboa chega a capitais europeias

Lisboa, 25 Mar (Lusa) - A associação Panteras Rosas convocou para quarta-feira em Lisboa uma vigília de homenagem à transexual Luna, assassinada em Fevereiro, uma iniciativa que já chegou a várias capitais europeias.

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A iniciativa, para a qual foram convidadas as associações nacionais de Gays e Lésbicas e as trabalhadoras do sexo, volta a lançar o alerta para a marginalização de que são algo os transexuais no país.

Em Portugal, o processo de mudança de sexo pode demorar dez anos.

"Dez anos de discriminação, dez anos sem conseguir arranjar emprego ou a esconder o seu género" porque "para a legislação portuguesa, os transexuais não existem", critica Sérgio Vitorino, da Panteras Rosa, a associação de defesa dos direitos dos homossexuais e transexuais que convocou a vigília para o final da tarde de quarta-feira na Rua Conde Redondo, em Lisboa.

A iniciativa já chegou a Paris, Madrid, Barcelona e Bruxelas, onde se realizaram ou estão agendadas acções de solidariedade para com a prostituta brasileira assassinada há cerca de um mês e encontrada num entulho de lixo em Lisboa.

O dirigente da associação lembra que por detrás da morte de Luna está uma história de discriminação e marginalização, semelhante à de tantos transexuais. Em Portugal, estas pessoas "estão nas mãos dos médicos que os tentam convencer que não são transexuais", disse Sérgio Vitorino.

A mudança de identidade não é uma decisão pessoal e a simples mudança de nome, que pode demorar mais de uma década, está sempre nas mãos de especialistas.

"No corpo errado" são "questionados durante anos a fio sobre se querem mesmo fazer isso", lembra Sérgio Vitorino, acrescentando que muitos acabam por ser automaticamente afastados do protocolo oficial quando não querem fazer a mudança total.

"Nem todos querem alterar o seu corpo, muitos querem fazer apenas algumas transformações e por isso são afastados do protocolo oficial e acabam por iniciar o processo hormonal sem apoio médico, correndo riscos", lembra Sérgio Vitorino.

Sérgio Vitorino critica os médicos que "colocam obstáculos e imposições morais" e o sistema que "não reconhece o direito de viverem como querem".

"Em Portugal, quem quer mudar de sexo atravessa um processo que em média demora 10 anos e durante o qual é consultado por psiquiatras que tentam convencer a pessoa de que não é transexual, sendo constantemente questionada sobre se o quer mesmo fazer", critica Sérgio Vitorino.

Luna nasceu mulher num corpo de homem e por isso estava a ser acompanhada no Hospital de Santa Maria pela equipa multidisciplinar de alteração de corpo para fazer as alterações necessárias, mas acabou por ser brutalmente assassinada.

Para as Panteras Rosas é urgente "retirar aos médicos o poder sobre a vida destas pessoas" e deixar de ver esta opção como um problema mental: "estas pessoas não são doentes mentais mas infelizmente ainda são vistas assim".

A legislação portuguesa só permite a mudança de nome depois da mudança de sexo. "Pior: a mudança de nome está na mão de um juiz que decide com base num relatório médico", lembra Sérgio Vitorino. A diferença entre a aparência física e o nome do Bilhete de Identidade torna ainda mais difícil arranjar um emprego, arrastando as pessoas para situações de marginalização. "São pessoas mais vulneráveis e como são discriminados, muitos só sobrevivem recorrendo a prostituição de rua", lamenta.

"A prostituição é muitas vezes um recurso de quem não tem outras formas de ganhar a vida e que é dramático ter um género diferente daquele que o corpo sugere" Dois anis depois do brurtal assassinato de Gilberta, no Porto, as Panteras Rosa vão tentar mais uma vez alertar esta quarta-feira para a situação da transexualidade em Portugal, depois de acções de solidariedade realizadas noutros países europeus.

O local escolhido é precisamente o sítio onde Luna, que quando morreu tinha 42 anos, se prostituía.

SIM

Lusa/Fim


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