Homens reagem à pornografia, mulheres preferem romance
Os homens reagem mais à pornografia e as mulheres ao romance, um estereótipo confirmado por estudos de sexologia que utilizam registos da actividade cerebral e de outros sinais corporais, que serão apresentados sábado, em Lisboa.
"Os homens reagem muito a estímulos visuais explícitos, daí o sucesso da pornografia masculina. As mulheres reagem a estímulos mais emocionais e menos eróticos, ligados ao romance", disse à Lusa Américo Baptista, coordenador do mestrado em sexologia da Universidade Lusófona e responsável pela conferência "O Sexo e o Cérebro", que irá decorrer naquela instituição.
Segundo o especialista, os estudos mais recentes nesta área abordam a reacção da actividade eléctrica do cérebro e de outros sinais como o batimento cardíaco ou a transpiração face a estímulos visuais e auditivos, o que permite alcançar respostas mais "sinceras" do que as obtidas a partir de inquéritos.
"Nem sempre há uma correspondência entre o que dizemos e o que sentimos e isso faz com que os estudos de sexologia realizados com base em inquéritos, dominantes até agora, possam ter conclusões um pouco enviesadas. Por exemplo, se me perguntarem se sou simpático, eu não vou, obviamente, dizer que não", explica o especialista.
A conferência tem como objectivo apresentar estas metodologias que devem ser complementares aos questionários e que Américo Baptista classifica como "mais seguras", dada a dificuldade de controlar os sinais corporais.
De acordo com estudos europeus já realizados com base neste método, os homens e as mulheres respondem de forma muito diferente aos mesmos estímulos, nomeadamente quanto à pornografia, que parece "excitar pouco as mulheres, obtendo mesmo algumas respostas de nojo e repulsa".
As pesquisas, que serão apresentadas por Américo Baptista e por um professor holandês da Universidade de Amesterdão, indicam ainda que os homens têm uma maior apetência para o sexo.
"Quando um casal tem problemas a nível da sexualidade, a recusa é, na maior parte das vezes, da mulher, mas isso não quer dizer que haja qualquer tipo de disfunção ou patologia", refere ainda o especialista.