Homicida do filho do ex-futebolista "Nelinho" condenado a 12 anos de prisão
Lisboa, 19 jun (Lusa) - O Tribunal Criminal de Lisboa condenou hoje, após repetição do julgamento, Gonçalo Cardoso a 12 anos de prisão efetiva pelo homicídio a tiro de Nélio Marques, filho do ex-futebolista do Benfica "Nelinho", ocorrido em Março de 2005.
O coletivo de juízes decidiu manter na íntegra o acórdão condenatório (12 anos de prisão) do primeiro julgamento, depois de ouvir os peritos médicos que assistiram a vítima que foi baleada com vários tiros na zona do tórax.
O julgamento foi mandado repetir pelo Tribunal da Relação de Lisboa após um recurso da defesa do arguido, a cargo do advogado João Nabais, que considerou fundamental determinar se a morte se ficou a dever aos disparos ou a um incidente no bloco operatório.
Segundo o acórdão hoje lido em tribunal, os peritos médicos foram unânimes em afirmar que a morte de Nélio Marques, por paragem cardíaca, resultou da impossibilidade de estancar as hemorragias causadas pelos diversos ferimentos de bala, que lhe perfuraram os pulmões e outras partes do corpo.
Ponderada toda a prova, o tribunal condenou Gonçalo Cardoso a 12 anos de prisão efetiva por homicídio simples.
Gonçalo Cardoso foi ainda condenado a pagar uma indemnização de 251.400 euros aos pais de Nelio Marques, que, apesar de satisfeitos com a manutenção da pena de prisão, se mostraram revoltados com a demora da justiça em julgar este caso (sete anos) e com o facto de o autor do homicídio nunca ter estado em prisão preventiva ao longo destes anos todos.
O arguido chegou a estar em prisão domiciliária, com pulseira electrónica, mas a morosidade do processo permitiu que se mantivesse em liberdade provisória, situação que se manterá caso recorra novamente para o Tribunal da Relação de Lisboa, como deverá suceder segundo fontes ligadas ao caso.
A mãe de Nélio Marques chorou no final da audiência e considerou que "12 anos é pouco" para quem matou a tiro o seu filho.
Também "Nelinho", pai da vítima, evocou a brutalidade do acto que tirou a vida a um jovem que "tinha um futuro pela frente" e que se preparava para ir jogar futebol para a China.
Volvidos sete anos, Nelinho lamentou que o caso ainda esteja em primeira instância, podendo o agressor recorrer e adiar o cumprimento da pela a que foi hoje condenado.
Nélio Marques foi assassinado com três tiros à queima-roupa, numa estação de serviço em Benfica, tendo ficado provado que Gonçalo Cardoso foi o autor dos disparos, depois de uma manobra perigosa em que se envolveram as viaturas da vítima e do agressor.
O caso ocorreu a 28 de Março de 2005, após uma desavença de trânsito iniciada em Sete Rios, Lisboa, entre o agressor e a vítima.
À data dos factos, Gonçalo era vendedor de ouro e adquirira a arma, devidamente legalizada, alegademente para se proteger dos roubos. Não tinha antecedentes criminais.